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Nº2293 - Quinta-feira, 2010.FEV.25


  

5 Écrans

 

 

The Cove -

A Baía da

Vergonha

de Louie Psihoyos

 

Um hino trágico ao autismo mundial.

Numa baía recôndita de Taiji, no Japão, local fortemente protegido de câmaras fotográficas e de vídeo, começa anualmente, com a chegada de Setembro a caça a milhares de golfinhos que alimentam uma rentável indústria de fornecimento de animais aos oceanários de todo o mundo e de carne ao comércio japonês.

Apoiados pela organização Oceanic Preservation Society, um grupo de activistas empenhados na defesa dos golfinhos conseguiu infiltrar-se no coração dum segredo cuidadosamente guardado dos olhares de estranhos e, como se pode constatar no filme, ignorado pela maioria da população japonesa.

O sucesso resultou dos meticulosos preparativos da operação, da escolha de um grupo de autênticos comandos, do recurso a tecnologia de ponta, como câmaras dissimuladas, de infra-vermelhos e de alta sensibilidade, equipamento submarino, helicópteros telecomandados e até um insuflável!

Para além da parafernália de ferramentas, foi fulcral o arrojo da equipa que suportou as provocações e confrontos físicos com os caciques locais, pagos pela empresa responsável por esta insólita indústria e na defesa dos míseros salários que auferem, por uma actividade criminosa que enche os bolsos dos patrões com milhões de ienes.

Um dos aspectos reveladores na inutilidade das conferências internacionais, é a não só complacência mas efectiva cumplicidade das autoridades nipónicas com uma prática que vem sendo condenada de há muito pela esmagadora maioria das nações, sem qualquer efeito prático.

Curiosa a forma como o grupo deu a conhecer ao mundo o seu registo dos factos, exibindo as imagens de vídeo em locais públicos e mesmo durante uma sessão a decorrer, com a presença de representantes dos mais diversos países, onde o factor surpresa tornou impossível aos seguranças impedirem os repórteres presentes de registarem o acontecimento.

THE COVE resulta numa abordagem inteligente, ética e eficiente á preocupação crescente e que já deveria ser global, no que toca à preservação das espécies, o mesmo que dizer  do nosso planeta, muito especialmente as que têm vindo a registar um decréscimo crítico colocando-as em riscos de extinção, a médio ou a curto prazo.

Espera-se o dia em que os humanos entendam que matar animais por desporto é um crime, como é aprisioná-los para encherem os bolsos de traficantes e industriais sem escrúpulos, que há espécies que requerem um cuidado muito especial e no caso dos golfinhos, lidamos com um nosso parente muito próximo que mostra para com os humanos uma empatia única que acaba por os vulnerabilizar e perder.

Tudo isto é amplamente comentado num filme em que um dos principais protagonistas é Ric O’Barry, o actor principal da série televisiva FLIPPER que nos anos 60 apaixonou telespectadores de todo o mundo.

Para THE COVE – A BAÍA DA VERGONHA, de Louie Psihoyos, 5 Écrans, filme decididamente a não perder.

Falco Fernandes

(Grande Écran 612, de 25 de Fevereiro de 2010)


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