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Notícias de Cinema, Televisão, Áudio e Multimédia Nº2267 - Quinta-feira, 2010.JAN.14 |
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5 Écrans
O Laço Branco de Michael Haneke
Michael Haneke é sinónimo de cinema choque, perturbador |
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O cineasta austríaco Michael Haneke é conhecido do público português pela sua cinematografia desde1997, ano em que, ainda completamente desconhecido do público, realiza no seu país a primeira versão de BRINCADEIRAS PERIGOSAS, tornando-se sinónimo de cinema choque, perturbador, grandes actuações, prémios e mais prémios, acima de tudo filmes a não perder. DAS WEISSE BAND, de seu título original começou a sua carreira em Maio do passado ano, quando o seu filme foi apresentado na Selecção Oficial do Festival de Cinema Cannes e Haneke levou para casa a Palma de Ouro. Depois desta consagração, Michael Haneke apresentou o seu filme por todo o mundo, incluindo o Festival de San Sebastián, onde tivemos oportunidade de o ver extra-competição, e Estoril Film Fest, entre festivais e estreias comerciais, de prémio em prémio, em Dezembro voltou a consagrar-se ao receber três prémios nos European Film Awards, atribuídos pela Academia de Cinema Europeia. Estreia esta quinta-feira entre nós esta história que remonta às vésperas da 1º Guerra Mundial, narrando um conjunto de estranhos acontecimentos passados numa aldeia no norte da Alemanha, sem nomes sonantes do cinema, em que as personagens principais são crianças e adolescentes, num cenário austero registado a preto e branco, dando assim uma maior atenção à narrativa, ao clima emocional que cria e ao desempenho dos actores. O filme retrata uma pequena comunidade rural alemã, em que o barão, o intendente, o pastor, o médico, a parteira, os rendeiros são “donos” da localidade e dos seus habitantes, localidade onde a vida decorre sem interferência de estranhos, até alguns incidentes estranhos ocorrerem e começar a pairar a palavra vingança, o ritual dos castigos. O grupo de crianças educadas num ambiente de profunda cultura religiosa está a por em causa a autoridade dos adultos ou a manifestar a sua profunda maldade. Sem qualquer referência ao nazismo, cuja eclosão remonta aos anos trinta, o filme aponta as suas raízes e revela o conceito que estas comunidades fechadas e dominadas por uma profunda religiosidade tinham, em relação aos menos protegidos, e o direito de que sentiam investidos para aplicar castigos aos mais fracos e vulneráveis. Duro, cru, realista e duma beleza extrema, para O LAÇO BRANCO, de Michael Haneke, que faz jus ao já excelente trajecto cinematográfico do realizador, 5 écrans, filme a não perder. (Grande Écran 606, de 14 de Janeiro de 2010) |
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