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Nº2227 - Terça-feira, 2010.JAN.12


 

 

 

 

 

 

Morreu o cineasta francês

Eric Rohmer

 

 

A MINHA NOITE EM CASA DE MAUD, de 1969,

protagonizado por Jean-Louis Trintignant e Françoise Fabian,

uma das obras carismáticas da longa carreira de Eric Rohmer

Morreu ontem em casa da família, aos 89 anos, o cineasta francês da "Nouvelle Vague" Eric Rohmer que nos legou 51 trabalhos para cinema e televisão, feitos ao longo de uma carreira que teve início em 1950, com JOURNAL D'UN SCÉLÉRAT e se estendeu até há 3 anos, quando realizou OS AMORES DE ASTREA E CELADON, exibido entre nós.

Professor de literatura francesa, Rohmer começou por ser crítico de cinema nos "Cahiers du Cinéma" de que chegou a ser editor, dedicou-se ao jornalismo e consolidou uma importante carreira no cinema de expressão francófona, mesmo sem nunca lhe ter sido reconhecido o brilho de colegas seus com maior visibilidade, como Godard ou Truffaut.

Para além de realizador, escreveu 35 argumentos, que transpôs para o cinema em obras marcantes, como um dos segmentos de PARIS VUE PAR... de 1965, LA COLECTIONNEUSE ( sexto dos "Seis Contos Morais") de 1967, O JOELHO DE CLAIRE de 1970, A MULHER DO AVIADOR de 1981, a tetralogia CONTO DE PRIMAVERA, CONTO DE INVERNO, CONTO DE VERÃO e CONTO DE OUTONO, realizada entre 1990 e 1998, A INGLESA E O DUQUE de 2001 e o já referido OS AMORES DE ASTREA E CELADON de 2007, com pôs termo ao seu rico trajecto no cinema.

O seu filme mais conhecido, é A MINHA NOITE EM CASA DE MAUD, realizado em 1969, na época áurea da "Nouvelle Vague", praticamente vivido entre as personagens Jean-Louis e Maud, magnificamente interpretadas por Jean-Louis Trintignant e Françoise Fabian, um jogo perigoso em que um homem e uma mulher se confrontam divididos pela atracção e a moral, levado aos limites possíveis d a tensão cinematográfica.

Nomeado para várias categorias pela Academia Norte-Americana e seleccionado para Cannes, o filme marcou uma época e lançou um olhar fresco e novo sobre o cinema, desenhando na tela branca o seu belíssimo preto e branco, contrastado e cru, acentuando o frio que aproximou as duas personagens e esteve a ponto de mudar as suas vidas.

Criticado frequentemente pelo cariz excessivamente literário dos seus filmes, o exemplo apontado poderá ser uma excepção à regra, tratando-se de uma obra eminentemente cinematográfica, pura sedução para o olhar e o ouvido do espectador, mantendo intacta a frescura original, quatro décadas depois do seu aparecimento nos ecrãs.


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