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News |
Notícias de Cinema, Televisão, Áudio e Multimédia Nº2224 - Quinta-feira, 2010.JAN.7 |
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4 Écrans
Bombón El Perro de Carlos Sorin
Novo road-movie do argentino Carlos Sorin, sobre a amizade entre um homem e um cão |
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Mais de 5 anos depois de o termos visto em San Sebastián e ter sido estreado internacionalmente, quase 4 anos depois de ter sido exibido no Festroia, chega até nós aquele que é, provavelmente, o segundo melhor filme do realizador argentino Carlos Sorin, revelado ao mundo pelo seu excelente HISTÓRIAS MÍNIMAS, feito 2 anos antes e distinguido com 22 prémios, nomeadamente o da Fipresci, no festival basco. Em BOMBÓN EL PERRO, o realizador retoma uma temática que lhe é cara, os laços de amizade que se podem estabelecer entre um homem e um cão, agora de uma diferente perspectiva e num outro contexto bem diferente do que fizera o solitário velho de San Julian, na região desértica da Patagónia, partir numa longa caminhada, em busca do seu amigo cachorro, à procura do perdão. Le Chien é um mastim argentino que “Coco” recebe em paga de um serviço, num altura difícil da sua vida em que acaba de ser despedido e se vê a braços com o duro desafio da sua própria sobrevivência, para ter de arcar com a alimentação dum cão maior do que ele. Mas incapaz de abandonar o animal, mete-se com ele ao caminho, à descoberta das capacidades do bonacheirão animal, proporcionando imagens de rara beleza, quando se deslocam juntos no velho jipe branco, em que o animal parece viajar com motorista às ordens. Para além deste delicioso Le Chien aka Bombón, protagonizado por Gregorio, que ganha um lugar especial na memória cinéfila dos que com ele se cruzem, “Coco” é entregue aos cuidados de uma descoberta milagrosa, a do actor Juan Villegas que se limita a ser ele próprio, seguindo com toda a naturalidade as indicações do realizador e que Sorin descobre para o seu filme, nas funções de guarda do parqueamento da produtora do filme. Se o filme começa com a tragédia que é o encerramento da estação de serviço onde trabalhava, para dar lugar a uma nova área de indústria turística que não se compadece com heranças gastas como “Coco”, deixando-o à mercê das facas artesanais que ninguém compra, a partir do encontro com Le Chien, tudo se vai modificar e a vida do velho gasolineiro e mecânico toma novo rumo, quanto mais não fosse com a companhia deste imponente amigo que, a dada altura, perde para mais adiante recuperar, remetendo-nos para HISTÓRIAS MÍNIMAS. Um trabalho de grande humanidade, servido pelo discurso cinematográfico simples, directo e fluido que caracteriza toda a obra do realizador argentino, de quem também já vimos EL CAMINO DE SAN DIEGO que mantém o estilo dos que o antecederam. Para BOMBÓN EL PERRO, de Carlos Sorin, com os inesquecíveis Juan Villegas e Gregorio, 4 écrans, filme decididamente a ver, sendo apenas de lamentar que tenha levado mais de 5 anos a chegar até nós. (Grande Écran 605, de 7 de Janeiro de 2010) |
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