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Nº2201 - Quinta-feira, 2009.DEZ.24


 

4 Écrans

 

PLANETA

51

de Jorge Blanco

e Javier Abad

 

 

Charles "Chuck" Baker e o seu amigo

Lem, lidam com perseguições implacáveis

Como é habitual nesta época, vão-se sucedendo as estreias de animações de olho posto no público mais jovem, sem descurar os acompanhantes adultos e os muitos cultores do género que a Disney consagrou, mas de que deixou há muito de ser a líder no mercado mundial, sobretudo desde a introdução dos computadores no processo de produção dos filmes de animação.

PLANETA 51 é uma co-produção da Espanha com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, realizada por Jorge Blanco, coadjuvado por Javier Abad e Marcos Martinez, com uma equipa que envolveu técnicos e artistas dos três países, mas traz a marca de alguns trabalhos de vulto, já realizados no país vizinho, desta vez sob a asa protectora da Sony Pictures e da francesa TFM Distribution.

Através do filme, viajamos com o Capitão Charles “Chuk” Baker até ao distante Planeta 51, onde ele aterra, na convicção de ser o primeiro humano a tocar aquele solo e sendo colhido pela surpresa de aí encontrar uma comunidade autóctone, cujo maior receio é ser dominada por invasores alienígenas como é o caso de Chuck.

O curioso é que entramos no filme directamente numa sala de cinema, onde é projectado um filme de ficção científica  sobre esse tema que agita e aterroriza os espectadores, com as imagens de uma invasão alienígena e de onde uma mãe “arranca” o filho, por não achar o filme adequado à idade dele.

Quando o pavor no Planeta 51 vira realidade e, à semelhança, do que sucederia entre nós, é activado todo o arsenal defensivo contra a suposta invasão, surgindo a nave flamejante, de onde sai um astronauta empunhando a bandeira dos Estados Unidos e dançando ao som de acordes do clássico 2001, ODISSEIA NO ESPAÇO, de Kubrick.

Mas no meio do pavor mútuo, instala-se então a maior confusão possível no até então pacato Planeta 51, e a derradeira esperança de Charles é o seu amigo Lem, também ele a braços com um drama, o de conquistar o coração de Neera.

Num ápice, as forças militares entram em acção, atraindo os mirones, os repórteres de televisão a os pacifistas que, como é evidente, são de imediato detidos e arrastados para fora do cenário de conflito, onde a tensão cresce e Charles “Chuk” Baker assiste à evolução dos acontecimento disfarçado sob uma manta, qual E.T., de Spielberg, enquanto procura uma saída regressar à nave e à Terra, ajudado por Lem, com a vida a desmoronar-se.

Utilizando com esmero a técnica de animação 3D, fruto duma inspirada criatividade, marcado por um ritmo alucinante e atravessado por um notável sentido de humor, Planeta 51 vai abordando num tom ligeiro assuntos sérios e, como muitos filmes do género, o desenrolar da acção é conduzido pela capacidade do terráqueo estabelecer contacto e relações amistosas com os seus involuntários anfitriões.

Para a animação PLANETA 51, de Jorge Blanco, Javier Abad e Marcos Martinez, 4 écrans, filme decididamente a ver.

Falco Fernandes

(Grande Écran 603, de 24 de Dezembro de 2009)


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