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Nº2186 - Quinta-feira, 2009.DEZ.17


 

3 Écrans

 

 

DEIXA

CHOVER

de Agnés Jaoui

 

 

Os acasos da vida de 2 repórteres e 1 entrevistada,

ditados pelos caprichos da chuva...

O novo filme da promissora realizadora francesa, já com um trajecto razoável como actriz e argumentista, que estreia esta semana nas salas em Portugal, tem data de 2008 e já foi exibido aquando da Festa do Cinema Francês em Lisboa.

Jaoui adoptou a  forma de comédia satírica, para focar o filme sobre classes sociais, entre elas e no seu próprio seio, numa França em que os diálogos são essenciais na narrativa e, por isso, no discurso do filme, em que, mais uma vez, o cinema dentro do cinema tem lugar preponderante.

Em PARLEZ-MOI DE LA PLUIE, de seu título original, a chuva sublinha os bons e os maus momentos das suas personagens, ligadas entre si por sentimentos contraditórios, exacerbando a sua raiva, à medida que a chuva sobre eles se abate.

Filmado na zona dos Alpes, onde a vida rural é dura e contrasta com as imagens da sofisticada Paris, também os cenários e a banda sonora vão jogando com os estados de espírito e com os níveis de ansiedade das personagens, como se duma sinfonia audiovisual se tratasse.

 Michel (Jean-Pierre Bacri) e Karim (Jamel Debbouze), um jornalista com alguma experiência na área do documentário, e um seu ex-aluno de montagem decidem fazer um vídeo documental sobre mulheres bem sucedidas.

A escolhida é Agathe Villanova (Agnés Jaoui), uma feminista com um papel activo na política, oriunda de uma família de posses, para a qual a mãe de Karim trabalha, desde há muito tempo.

Os três juntam-se para a entrevista que deveria ocupar apenas algumas horas dos atarefados dias de Agathe, mas tudo corre mal, a começar pela comunicabilidade mútua. 

Se a entrevista parece estar a correr bem, afinal alguém se esqueceu de pôr a câmara a gravar ou de trazer outra bateria para substituir a que se esgotou, entretanto…

De desaire em desaire, o filme  poderia agarrar melhor o espectador, numa trama que procura a harmonia entre a família e os amigos de longa data, mas cada nova tentativa é ditada ao fracasso ou ao sucesso pela incontrolável chuva.

O filme perde pela falta de dinâmica, pela ineficiente exploração nas partes mais caricatas, em que o diálogo se arrasta e torna o filme excessivamente longo, algo já habitual no cinema europeu.

Ficando muito aquém daquilo a que nos tem habituado Agnés Jaoui, para DEIXA CHOVER, 3 écrans, filme com interesse.

Isabel Santos

(Grande Écran 602, de 17 de Dezembro de 2009)


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