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Nº2161 - Quinta-feira, 2009.NOV.26


 

3 Écrans

 

 

 

 

ACTIVIDADE

PARANORMAL

de Oren Peli

 

 

Como transformar um filme de 11 mil dólares,

num blockbuster de receita superior a 100 milhões...

Com chegada às nossas salas anunciada para a próxima semana, este thriller de horror é a estreia como argumentista, responsável pelo casting, produtor não creditado, realizador e montador, do israelita emigrado para os Estados Unidos, Oren Peli que tem já em desenvolvimento a respectiva sequela.

Lançado em Outubro de 2007, no Screamfest Film Festival, onde foi distinguido com uma menção honrosa, correu já ou tem anunciada estreia para cerca de 30 países, graças à mão oportuna de Spielberg que se tomou de amores por ele e conseguiu transformar algo feito com escassos 11 mil dólares, num produto cujas receitas ultrapassaram já os 100  milhões e mereceu o empenhamento de 11 distribuidores por todo o mundo.

Com actores estreantes ou quase, PARANORMAL ACTIVITY assenta no esforço dum realizador, de cujos filmes de culto fazem parte A CASA MALDITA, O EXORCISTA, A SEMENTE DO DIABO, O SEXTO SENTIDO ou OS OUTROS, todos eles boas referências para quem quer abraçar o género thriller de horror.

O tema é clássico, focando um casal que se muda para uma casa dos subúrbios, passando a ser perturbado por uma presença demoníaca nocturna.

A diferença em relação aos subprodutos  nas salas, hoje em dia, situa-se ao nível da forma como é instilado o terror no espectador, assentando mais no que se não vê e causa, por isso, um pavor enorme, do que em banhadas de sangue ou membros decepados.

Um rapaz cuja imagem nos é devolvida por um espelho, filma a casa e, já na varanda, regista a chegada da rapariga com que vive, resistindo aos seus insistentes pedidos para parar a gravação.

Entramos no filme em pleno clima de voyeurismo e exibicionismo, propício ao que se vai seguir, o casting que irá fazer com a rapariga que continuará a perseguir pela casa fora, nas mais diversas situações, a acabando por se diluir a distância entre o filme dentro do filme e o filme propriamente dito.

A partir daí, estão lançados os dados e entramos numa espécie de “Big Brother” a dois, em que a rapariga vai cedendo e o rapaz regista os diversos momentos da vida do casal, até durante o sono, filmando em infra-vermelhos.

Descobrimos que o que quer que seja, persegue a jovem há muito tempo, sentimos que é agora que a ameaça tomará forma, só falta saber quando e como.

Aí a câmara torna-se numa terceira personagem do filme e seria um instrumento precioso… se registasse fantasmas ou demónios, o que não acontece limitando-se a gravar manifestações paranormais e imagens em que Katie e Micah nem sempre se reconhecem.

O desenlace deste thriller de grande qualidade, é uma surpresa fascinante, mesmo abdicando da componente esotérica e vivendo-o apenas através do comportamento das excelentes personagens que o povoam, ao nível do melhor que vimos no género.

O mistério é muito bem explorado por Oren Peli até ao final do filme, chave do sucesso desta sua primeira obra, interpretada por Katie Featherston e Micah Sloat, a merecer-nos 3 écrans, filme com interesse.

Falco Fernandes

(Grande Écran 599, de 26 de Novembro de 2009)


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