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Notícias de Cinema, Televisão, Áudio e Multimédia


Nº2111 - Sábado, 2009.NOV.2


Faial Filmes Fest

Festival de Curtas das Ilhas

Horta - Faial - Açores

2 a 8 de Novembro

 

 

 

 

Programa

 

 

O vulcão e o farol dos Capelinhos,

autênticos ex-libris do Faial

UM CONTINENTE DE ARQUIPÉLAGOS

O Faial Filmes Fest 2009 contém vários arquipélagos dentro de si: os dos Açores, da Madeira, de Cabo Verde e Canárias, mas também os “arquipélagos” feitos dos diferentes cruzamentos do Continente português, das mais remotas partidas do mundo e desse imenso composto de “ilhas” que é afinal o ser humano, o seu desejo de criar e de saber.

 É assim que este ano o Festival de Curtas é ainda mais “das Ilhas” e comporta numa só ilha - a do Faial, nos Açores - um vasto continente de outras realidades arquipelágicas e do mundo, unidas pelo Cinema.

O Cineclube da Horta – entidade organizadora do Festival – pretende assim dar mais um passo sólido no caminho da afirmação do Faial Filmes Fest: como mais-valia social para os faialenses em particular e para os Açores no seu todo; como grande acontecimento cinematográfico e cultural da região, no país. Pretendemos fazê-lo, ainda e também, de modo a que todos os agentes – activos e passivos – envolvidos neste projecto e que este projecto envolve percebam as suas potencialidades, de forma a garantir o seu futuro.

Animada do conceito que tão bem resultou em 2008, a 5ª edição do Faial Filmes Fest tenta consolidar o que funcionou melhor e corrigir defeitos: manter-se-á a homenagem a um realizador nacional – no caso, Paulo Rocha –, renovar-se-á o abraço entre o Cinema e a Literatura, com a Música pelo meio, e abrir-se-ão de novo os espaços de confraternização e partilha; por outro lado, conferir-se-á mais espaço qualitativo e quantitativo às Secções Competitivas e à Formação, reforçando a sua participação no Festival.   

A festa do Cinema que a ilha do Faial acolherá de 2 a 8 de Novembro, feita também de identidade própria e de exigência de qualidade obrigatória, só ficará completa - e é sabido que o que completa é que dá sentido ao resto, por melhor que este seja – com gente dentro; com muita gente dentro, com essa mó a que habitualmente se chama “público” e que é, muito para além desse atributo, a principal razão de ser do Faial Filmes Fest, a partilhar emoções que se levam para casa e nunca mais se esquecem, e que se repercutem indefinidamente.

SELECÇÃO OFICIAL

A Selecção Oficial do V Faial Filmes Fest, composta por 45 curtas-metragens, é o resultado do apuramento de 110 filmes inscritos, de todo o país e, pela primeira vez, das ilhas de Cabo Verde e Canárias, efeito do alargamento do concurso aos arquipélagos da Macaronésia.

 

COMPETIÇÃO I

EL JUSTICIERO Tiago Sousa

Ficção | Portugal | 2009

MI VIDA EN TUS MANOS Nuno Beato

Animação | Portugal | 2009

MANIFESTO DA SÉTIMA ARTE Nicole Rompante

Experimental | Portugal | 2008

IMEMÓRIA Mariana Castro

Documentário | Portugal | 2009

VIDA NA COZINHA Luís Bicudo, Levi Martins

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2009

SOMEWHERE BENEATH THIS SKY Melissa Canhoto, Sónia Roque, Rosa Nordeste

Animação | Portugal, Açores, Flores | 2008

PASSOS PERDIDOS Sérgio Luís Paixão

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2009

CAFÉ João Fazenda, Alex Gozblau

Animação | Portugal | 2009

A NATUREZA E O ENGENHO André Laranjinha

Documentário | Portugal, Açores, São Miguel | 2009

ALGO IMPORTANTE João Fazenda

Animação | Portugal | 2009

SIMPLE DESOBEDIENCE João Carlos Silva

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2008

TODOS OS PASSOS Nuno Amorim

Animação | Portugal | 2008

LOCKEED CONSTELATION Tiago Melo Bento, João Engracio, Marisa Catita, Mário Roberto

Ficção | Portugal, Açores, São Miguel | 2009

WHITE CRASH João Menezes da Silva

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2009

AMISTAD – UMA VIAGEM EM CABO VERDE Rui Silva

Documentário | Cabo Verde | 2007

 

COMPETIÇÃO II

CONTRARIEDADES, DE CESÁRIO VERDE Noé Touraldo

Experimental | Portugal | 2009

LOLDINI – O MERGULHO Vítor Lopes

Animação | Portugal | 2009

O ENSAIO Telmo H. Pacheco

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2009

INSULA Filipe Manuel Gomes

Experimental | Portugal | 2007

MALA SIESTA Bibiana Monje

Ficção | Espanha, Santa Cruz de Tenerife | 2009

A MEIO DA NOITE Fernando José Saraiva

Animação | Portugal | 2008

FILOMENA Rui Dowling

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2009

PASSEIO DE DOMINGO José Miguel Ribeiro

Animação | Portugal | 2009

UM DIA FRIO Cláudia Varejão

Ficção | Portugal | 2009

NÃO HÀ MOTIVO PARA TE IMPORTUNAR A MEIO DA NOITE Daniela Gigante Batista

Ficção | Portugal | 2009

OUTSIDE Sérgio Cruz

Documentário | Portugal | 2008

AS CASAS Tomás Silva

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2009

PÁSSAROS Filipe Abranches

Animação | Portugal | 2009

O MATRICIDA Sílvio Varela Sousa

Ficção | Portugal | 2007

 

COMPETIÇÃO III

SEREIA José Maria Vaz da Silva

Ficção | Portugal | 2007

DO MEU QUARTO Noé Touraldo

Animação | Portugal | 2008

QUEM PEGA NESTE BALDE? Pedro Escobar

Documentário | Portugal, Açores, Faial | 2009

4º ANDAR Jorge Leça, Pedro Leite, Pedro Ponte

Ficção | Portugal, Açores, São Miguel | 2009

EU Marco Gomes

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2009

CORRENTE Rodrigo Areias

Ficção | Portugal | 2008

3X3 Nuno Rocha

Ficção | Portugal | 2009

ARENA João Salaviza

Ficção | Portugal | 2009

A FELICIDADE Jorge Silva Melo

Ficção | Portugal | 2008

DE NATURA MORTA Vítor Magalhães

Ficção/Documentário | Portugal, Madeira, Funchal | 2008

METÁSTASE Telmo H. Pacheco

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2009

EL VIDEOBUC Bibiana Moje

Ficção | Espanha | Santa Cruz de Tenerife | 2008

IR OU NÃO IR Luís Bicudo

Ficção | Portugal, Açores, Faial | 2009

DIA TRIUNFAL Rita Nunes

Ficção | Portugal | 2009

GANÂNCIA Cláudio Sá

Animação | Portugal | 2008

LISTENING TO THE SILENCES Pedro Flores

Documentário | Reino Unido | 2009

JÚRI DO FFF’09

João Pulo Macedo (presidente do Júri): dirigente cineclubista | Mariana Pimentel: ICA – Instituto do Cinema e Audiovidual | Rafael Barcelos: Direcção Regional da Cultura | Raquel Freire: realizadora | Rita Freitas: presidente da Federação Portuguesa de Cineclubes 

PROGRAMA

2NOV Segunda-feira

09:30 | Escola Secundária Manuel de Arriaga

            FFF Escolas

            > Festa Mundial da Animação – Programa Emagiciens

18:30 | Cine Teatro Faialense

Abertura Oficial (aberto ao público)

> Verdelho de Honra

> Exibição do Documentário QUATRO PAREDES E O MUNDO, de Marc Weymuller, sobre o poeta Dias de Melo

21:30 | Cine Teatro Faialense

            Sessão Especial

> Exibição do Documentário DIÁRIO DE UMA ILHA QUE SE TORNOU CINEMA O FFF’08 EM RETROSPECTIVA, de Fausto André

> Exibição do Filme OS VERDES ANOS, de Paulo Rocha, com a presença do realizador

00:00 | BAR CINE TEATRO

            Noites do FFF’09

> Cantigas Açorianas, com Manuel Costa, Victor Rui Dores e “Canarinho”

 3NOV Terça-feira

09:30 | Escola Secundária Manuel de Arriaga

            FFF Escolas

            > Festa Mundial da Animação – Programa Emagiciens

21:30 | Cine Teatro Faialense

            Sessão Especial

> Exibição do Filme UM AMOR DE PERDIÇÃO, de Mário Barroso, com a presença do realizador

00:00 | C.A.S.A. BAR

            Noites do FFF’09

            > Concerto de Lula Pena

 4NOV Quarta-feira

09:30 | Escola Secundária Manuel de Arriaga

            FFF Escolas

            > Festa Mundial da Animação – Programa Emagiciens

21:30 | Cine Teatro Faialense

Sessão Especial

> Projecção final, com música ao vivo, do projecto SEM PALAVRAS, resultante da Oficina do FFF’09 com o mesmo título, com a presença dos orientadores e formandos

> Exibição do Filme VENENO CURA, de Raquel Freire, com a presença da realizadora

00:00 | Taberna de Pim

            Noites do FFF’09

> Megafone5: Música para uma nova Tradição - Homenagem ao músico João Aguardela, com DJ Septimus

5 NOV Quinta-feira

16:00 | Centro Botânico Faial

            > Visita ao Centro Botânico, com Prova de Queijos

> Ante-Estreia do Filme GENTE DE FAJÃS, de António Saraiva

21:30 | Cine Teatro Faialense

            > Sessão de Competição I

00:00 | XF Bar

            Noites do FFF’09

            > Jam Session, com Nuno Costa e Amigos

 6NOV Sexta-feira

21:30 | Cine Teatro Faialense

            > Sessão de Competição II

00:00 | C.A.S.A. BAR

            Noites do FFF’09

            > Concerto de Alexandre Delgado

 07NOV Sábado

16:00 | Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça

Sessão Especial

> Exibição do Filme TEBAS, de Rodrigo Areias, com a presença do realizador

21:30 | Cine Teatro Faialense

            > Sessão de Competição III

00:00 | Taberna de Pim

            Noites do FFF’09

            > Concerto de Wicked Jamaica

 08NOV Domingo

21:30 | Cine Teatro Faialense

            Sessão de Encerramento

> Entrega de Prémios do FFF’09

> Concerto de Encerramento: The Legendary Tiger Man 

SESSÕES ESPECIAIS

São 7 os filmes que compõem as sessões especiais do Festival de Curtas das Ilhas 2009, com uma ponte entre os primeiros passos do “cinema novo português e o cinema da nova geração de cineastas nacionais; uma passagem pelo FFF’08 e uma surpresa apresentada ao vivo, para os espectadores do FFF’09.

Todos os realizadores estarão presentes nas sessões, para uma conversa com os espectadores.

QUATRO PAREDES E O MUNDO

Portugal | 2009 | Documentário | 53’

Realização: Marc Weymuller
Produtor: Xavier Arpino e Marc Weymuller – Le Tempestaire
Montagem: Marc Weymuller
Música: Maurice Blanchy e Bruno Fleutlot
Som:

Sinopse

Naquele ano, voltei à ilha do Pico, nos Açores. Queria encontrar o escritor, poeta e baleeiro, José Dias de Melo, na sua aldeia natal, Calheta de Nesquim. Queira passar alguns dias ao seu lado, ver como vivia. Queria ouvi-lo falar, ouvi-lo contar algumas das histórias que marcaram a vida dele. Queria filmar a sua aldeia, a sua casa, as suas idas e vindas, acompanhá-lo nos seus passeios e descobrir as paisagens que descreve nos seus livros.

Mas quando cheguei à Calheta de Nesquim, soube que ele tinha sido hospitalizado em São Miguel, uma outra ilha do arquipélago. Ninguém me soube dizer quando retornaria.

Então decidi esperá-lo.

Levei comigo um dos seus últimos livros “Poeira do Caminho”. Folheio-o para passar o tempo. E se escuto, entendo a voz dele…

 DIÁRIO DE UMA ILHA QUE SE TORNOU CINEMA:

O FFF’08 EM RETROSPECTIVA

Portugal, Açores, Faial | 2009 | Documentário | 40’

Concepção e Montagem: Fausto André | Imagem: Roberto Saraiva | Entrevistas e imagens adicionais: Fausto André | Produção: Cineclube da Horta
Sinopse: A 4ª edição do Festival de Curtas das Ilhas foi um momento particular de encontro dos amantes do cinema. A cidade da Horta acolheu gente de todo o país para se reunirem em torno dos filmes e da actividade cinematográfica. Foram dias de celebração da sétima arte ao sabor do tempo e das gentes faialenses.
Mas esta edição ficou principalmente marcada pelas imagens e pelas palavras de dois grandes nomes do cinema mundial. O nosso mestre Fernando Lopes, que nos ensinou sobre o processo artístico com a ante-estreia nacional do seu O MEU AMIGO MIKE AO TRABALHO. E esse realizador entre Hollywood e o cinema independente, Fernando Meirelles, que também em ante-estreia nacional mostrou e explicou como gerir os tons emocionais de um filme, através do seu polémico ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, adaptado do livro homónimo de José Saramago.
Um filme para reviver este encontro de pessoas, filmes e ideias. Do fim ao princípio.

OS VERDES ANOS

Portugal | 1963 | Ficção | 91’ 

Realização: Paulo Rocha
Produtor: António da Cunha Teles
Argumento: Nuno Bragança
Fotografia: Luc Mirot
Montagem:
Margharethe Mangs
Música: Carlos Paredes
Som:
Heliodoro Pires
Actores:
Ruy Furtado, Isabel Ruth, Rui Gomes, Paulo Renato, Cândida Dyne, Harry Weeland

Sinopse                                                                                                                                                      Júlio, de dezanove anos, vem da província para Lisboa, tentar a sorte como sapateiro. No dia da chegada, um incidente leva-o a conhecer Ilda, jovem da mesma idade, empregada doméstica em casa próxima da oficina onde Júlio trabalha. Júlio sente-se num ambiente estranho e hostil, desenrolando-se uma série de peripécias que lhe despertam a desconfiança em relação a Ilda, que decide romper o namoro. Impulsivo, Júlio acaba por matá-la.

 UM AMOR DE PERDIÇÃO                                                                                         

Portugal | 2008 | Ficção | 80’

 Realização: Mário Barroso
Produtor: Paulo Branco
Argumento: Carlos Saboga (livremente inspirado em Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco)
Fotografia: Mário Barroso
Montagem: Francisco Garcia da Silva Rui Mourão

Música: Bernardo Sassetti
Som: Pedro Melo
Actores: Tomás Alves, Patrícia Franco, Willion Brandão, Catarina Wallenstein

Sinopse                                                                                                                                                    “Não deve custar a morte a quem tiver o coração tranquilo. Não importa se nada há além desta vida. Ao menos, morrer é esquecer. Não tenhas saudades da vida, não tenhas, ainda que a razão te diga que podias ser feliz se não me tivesses encontrado no caminho por onde te levei à morte...”  (Simão, em Amor de Perdição de C. Castelo Branco)
Esta poderia ser a história de um encontro entre Simão e Teresa, sob fundo de conflito entre duas famílias da burguesia portuguesa... Simão é um adolescente quase criança, solitário, intransigente, narcisista, destrutivo e suicidário que atrai como uma aura fatal, uma luz negra, a maior parte das pessoas com quem se cruza. Mas Teresa existe, ou é apenas uma ideia, uma imagem, um reflexo? Teresa é uma aparição. Um pretexto para uma revolta amoral e violenta, para um amor de perdição.

 VENENO CURA

Portugal | 2008 | Ficção | 95’

 Realização: Raquel Freire
Produtor: Paulo Branco
Argumento: Raquel Freire
Fotografia: Mário Castanheira
Montagem: Jackie Bastide, Rodolfo Wedeles
Música: Rui Lima, Sérgio Martins
Actores: Sofia Marques, Margarida Carvalho, Sandra Rosado, Miguel Moreira, Gustavo Vicente

Sinopse

Há um momento em que todos nos cruzamos. Na noite escura. Quando perdes tudo o que há para perder, o que é que te faz continuar? O teu pior? O teu melhor? O que te impede de te atirares da ponte na primeira oportunidade? O que és capaz de fazer para sobreviver à mais terrível das dores? Amas com as tripas de fora. O que és capaz de fazer por amor? Como é que sobrevives com o coração partido? Quanto tempo dura um sentimento? Tem prazo? Já morreste de amor? Não se pode viver sem amor. O amor salva. O amor mata. O amor cura. Há um Porto onde se morre de amor. Há um clube onde tudo é permitido. Imperatriz. Vem. VENENO CURA.

 GENTE DE FAJÃS

Portugal | 2009 | Documentário | 58’

Realização: António João Saraiva
Produtor: António João Saraiva
Argumento: António João Saraiva
Fotografia: António João Saraiva
Montagem:
Jorge Gomes
Música: Bartolomeu Dutra e João Pimentel

Som:
Ricardo Sequeira

Sinopse Nas fajãs vive-se entre a beira-mar e as falésias… Entre a partilha e o silêncio… Entre a música e a fé… As pessoas tomam o seu tempo… Este documentário pretende participar na compreensão da vida das pessoas que andaram emigradas e aqui voltaram, e de outros que aqui recém chegaram.


TEBAS

Portugal | 2008 | Ficção | 80’

Realização: Rodrigo Areias
Produtor: Rodrigo Areias
Argumento: Bernardo Camisão e Rodrigo Areias
Fotografia: Paulo Abreu
Montagem: Tomás Baltazar
Música: The Legendary Tyger Man
Som: Vasco Carvalho
Actores: Gilberto Oliveira, Nuno Melo, David Almeida , Paula Guedes, Adelaide Teixeira, Ângela Marques, Paulo Furtado, Fey Fey Zhu
Sinopse

Tebas é uma adaptação da tragédia clássica de Sófocles, Rei Édipo, com um piscar a Jack Kerouac. Partindo da perda de identidade de uma segunda geração de emigrantes portugueses, Tebas conta a história de um jovem que em busca das suas origens parte de Paris em direcção a Portugal com um camionista beatnik. E mergulha nas profundezas de Tebas num road-movie surrealista.

HOMENAGEM A PAULO ROCHA

Para toda uma geração - de cineastas portugueses mas não só -, os primeiros acordes da magistral composição de Carlos Paredes Os Verdes Anos trazem à memória um certo filme com o mesmo título, realizado em 1963 por um então quase desconhecido cineasta formado na esteira do movimento cineclubista, de seu nome Paulo Rocha. Com produção de António da Cunha Teles, a primeira longa-metragem de Paulo Rocha marca para muitos o início do chamado "cinema novo". A partir duma curta notícia de jornal (um jovem da província matara uma criada em Lisboa), Paulo Rocha e o escritor Nuno de Bragança construíram um argumento aparentemente simples sobre uma juventude algo inquieta e rebelde, sem saídas numa cidade, Lisboa, com tanto de fascinante como de sufocante. O filme constituiu também o ponto de partida para apresentação de filmes de novos realizadores em festivais internacionais de cinema (Os Verdes Anos obtém mesmo distinções em Locarno, Acapulco e Valladolid).

Em 1966, novamente com produção de António da Cunha Teles, Paulo Rocha realiza Mudar de Vida, um dos raros filmes a abordar de forma realista (embora não muito profunda, já que todos os filmes eram visionados pela Comissão de Censura) a problemática da Guerra Colonial. Rodado no Furadouro, nas proximidades de Ovar, o filme centra-se nas dicotomias terra e mar, tradição e progresso.

Em 1971, sob produção do Centro Português de Cinema (CPC), realiza o documentário Pousada das Chagas, tendo como cenário o Museu de Óbidos. Dois anos depois torna-se presidente do CPC, cargo que ocupará até 1975, data em que assume as funções de adido cultural da Embaixada de Portugal no Japão, que desempenhará até 1983. Deixa-se fascinar pelo cinema nipónico e também pela figura e obra de Wenceslau de Moraes, escritor português que em finais do séc. XIX partiu para o Oriente, vindo a morrer no Japão. Moraes é o tema de A Ilha dos Amores (1982) e A Ilha de Moraes (1983), trabalhos que se complementam e dão uma visão bastante profunda da personalidade do escritor.

Parte do que pode definir-se como o seu "ciclo do Japão" é ainda a co-produção luso-francesa O Desejado — As Montanhas da Lua (1917), a adaptação à actualidade portuguesa dum clássico da literatura japonesa do séc. X.

Em 1988 realiza a média-metragem Máscara de Aço Contra Abismo Azul para a Rádio Televisão Portuguesa. Partindo dos títulos de dois quadros de Amadeo de Souza Cardoso ("Máscara de Aço" e "Abismo Azul"), o filme centra-se numa fase da obra do pintor mais voltada para o espectáculo, optando o realizador, através duma montagem de quadros, fotografias e recortes de jornal, por uma abordagem estética próxima da do teatro de revista.

Em 1992 Paulo Rocha presta homenagem a Manoel de Oliveira em Oliveira, o Arquitecto, uma viagem por lugares a que o veterano realizador esteve ligado, acompanhada de testemunhos de familiares e colaboradores. O filme integrou uma série de televisão francesa denominada "Cinema do Nosso Tempo".

Seguem-se mais duas obras de temática nipónica: O Senhor Wenceslau Brás em Tokushima (1993), uma peça de teatro filmada e Imamura, o Livre Pensador (1995).

Em 1998 regista em vídeo um espectáculo teatral do grupo Maizum, Camões — Tanta Guerra, Tanto Engano, regressando à ficção no mesmo ano com uma co-produção luso-franco-brasileira, O Rio do Ouro, uma história algo mística ambientada no Vale do Douro nos anos 50 com que o realizador pretendeu homenagear o cineasta japonês Kenji Mizoguchi.

Data do ano 2000 o que será talvez o mais desconcertante filme da sua carreira, uma farsa política (e musical) localizada numa Lisboa do futuro, protagonizada por vários "travestis": A Raiz do Coração.

As Sereias e Vanitas, de 2001 e 2004, respectivamente, reafirmaram a vitalidade e a juventude de Paulo Rocha, que continua a filmar com o coração e a razão de quem sabe fazer magia e não teme os desafios da vida.

Paulo Rocha é o realizador homenageado da 5ª edição do Festival de Curtas das Ilhas – mais do que merecida homenagem! -, e os acordes e as imagens de Os Verdes Anos poder-se-ão ouvir e ver de novo, no Teatro Faialense, com o próprio ali ao lado.

Com apoio do Instituto de Camões

VERDES ANOS

"Os Verdes Anos” é o primeiro filme das produções Cunha Telles que, pode dizer-se, começavam com o pé direito: o filme seria premiado em Locarno, o nome de Paulo Rocha surgia nas principais revistas de cinema europeias como uma revelação.

Visto hoje, Os Verdes Anos têm o grande mérito de ser um documento precioso sobre Lisboa do princípio dos anos 60, o seu provincianismo, o desespero e a sufocação de uma geração jovem. Para o cinema, o filme revelava ainda a sensibilidade de um compositor (Carlos Paredes) que construiu um tema musical que ficaria célebre (...).

Pela primeira vez depois de muitos anos este filme sintonizava-se com a realidade portuguesa, espelhava-a. Era um vento de mudança no cinema que por cá se fazia. Mas a mudança não estava só na respiração temática. Acontecia também (...) na respiração fílmica, na atenção aos movimentos de câmara, à realidade plástica dos planos, aos tempos.

Mais de vinte anos depois, Os Verdes Anos não ganharam cãs, sabemo-lo... O que quer dizer que o Cinema Novo que nele se propunha o era, de facto."

Jorge Leitão Ramos, in Dicionário do Cinema Português 1962-1988, ed. Caminho, Lisboa, 1989

ACTIVIDADES PARALELAS

OFICINAS

SEM PALAVRAS

21 de Outubro a 1 de Novembro | Escola Secundária Manuel de Arriaga

De Quarta a Sexta-Feira, das 18:00 às 21:00

Ao fim-de-semana, das 09:00 às 17:00

Oficina de cinema e música, destinada a interessados e amantes das duas artes, orientada em simultâneo por Fausto André (cinema) e Nuno Costa (música), a partir da qual será construída uma curta-metragem e a respectiva banda sonora original. Cada participante filmará uma sequência do filme, a partir da sua observação do real e das composições dos músicos envolvidos. O resultado desta oficina será exibido e interpretado ao vivo, pelos próprios formandos, numa das sessões do Faial Filmes Fest 2009, no Cine Teatro Faialense.

ATELIER-ESCOLA: COMO SE FAZ UM FILME

2 a 6 de Novembro | Cine Teatro Faialense

Todos os dias, de manhã e de tarde, durante uma hora e meia em cada período

Destinado a crianças dos 7 aos 14 anos, o atelier-escola COMO SE FAZ UM FILME tem levado os bastidores e as entranhas do cinema a todo o país, há mais de 10 anos, pela mão de Henrique Espírito Santo. No Faial o tema do atelier será a caça à baleia e os alunos das escolas básicas terão oportunidade de contactar com os vários processos que dão origem a um filme - num pequeno atelier improvisado no Cine Teatro Faialense, onde estarão montados máquinas, cenários, adereços, guarda-roupa de época… -, e de ser, por umas horas, realizadores, operadores de câmara, electricistas, aderecistas, actores, etc.

FFF’09 ESCOLAS

A Escola Secundária Manuel de Arriaga recebe novamente o Faial Filmes Fest, com um conjunto de filmes de animação comemorativos da Festa Mundial da Animação. O programa, que decorre de 2 a 4 de Novembro, abrange toda a comunidade escolar, procurando envolver os mais jovens e lançar sementes para o futuro.

NOITES DO FFF’09

Não há festa sem convívio, nem convívio sem música. As noites do Faial Filmes Fest encerram os dias com a saudável – e desejável – partilha, que se espera impregnada de boas emoções.

A “Selecção Musical” do Faial Filmes Fest 2009 está, como o próprio Festival, embebida do sa(o)l das ilhas, com pitadas de uma espécie de Fado, Jazz, Electrónica, Rock e muita saudade.

CANTIGAS AÇORIANAS nascem do improviso, como nos Açores nasceu a arte para fazer brotar vinho da lava e ainda hoje se reinventa o engenho para trocar as voltas aos vários tremores das ilhas. Manuel Costa, Victor Rui Dores e “Canarinho” guiar-nos-ão musicalmente (e alegremente) por essa tão particular forma de ser - “ilhéu”. 

LULA PENA ainda assobia, por vezes, como um sopro do vento, a arrepiar a pele dos que tiveram a felicidade (sim, pura felicidade) de a ver ao vivo, no dia 13 de Julho de 2008, no Cine Teatro Faialense - rara aparição, estranha e encantadora forma de interpretar e comunicar (o Fado?). Desta vez no Faial Filmes Fest, e num ambiente mais intimista, Lula Pena sussurrar-nos-á (a)o coração nos ouvidos. Silêncio.

 MEGAFONE5: Música para uma Nova Tradição

É ainda impossível prever a dimensão da revolução que o músico João Aguardela operou ao longo da sua impressiva passagem entre nós. Porventura, nunca se conseguirá perceber exactamente essa dimensão, tantas são as suas ramificações. E ainda bem. Celebremos sempre a dádiva de João Aguardela e assim se cumprirá indefinidamente a música portuguesa.

SITIADOS, LINHA DA FRENTE e A NAIFA, são alguns dos projectos a que João Aguardela emprestou a alma e o corpo, e que hão-de ressoar em nós e nos que vierem, como um Megafone sempre novo.

No dia em que amigos e admiradores de João Aguardela se juntam no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém para lhe prestar homenagem (4 de Novembro), o Faial Filmes Fest 2009 associa-se também à imensa celebração da vida que é ouvir e sentir a sua música, numa noite na Taberna onde o João viu nascer mais um dia sem fechar aqueles faróis azuis que lhe brilhavam na cara e iluminavam em volta, algures no ano de 2007, no Faial.

 NUNO COSTA E AMIGOS

Músico com vasta formação e actividade na área do Jazz, Nuno Costa junta-se uma vez mais ao Faial Filmes Fest e aos amigos “jazzistas” de cá, para uma Jam Session à boa maneira do improviso com rede.

ALEXANDRE DELGADO nasceu no Tarrafal, ilha de São Nicolau e cresceu na ilha de S. Vicente. Este cabo-verdiano cresceu numa família de músicos e cedo também despertou o interesse pela música com a ajuda dos irmãos mais velhos. Em 1987 emigrou para os Açores, ilha do Faial, onde gravou o disco “Mnininha de São Nicolau”, cumprindo um desejo que o acompanhou desde que entrou no mundo da música, ainda em Cabo Verde.Além de intérprete é compositor e conta com mais de meia centena de composições.

THE WICKED JAMAICA é um projecto de dubstep e outras linguagens musicais urbanas desenvolvido por Septimus (Pedro Lucas), que conta com Ricardo Pires (Ricky) como portador da mensagem e Rui Branco como seu ilustrador. Apresenta-se ”A Jamaica Maluca/Pervertida“ como o lugar de celebração (irónica) da Babilónia e do Caos. Uma metáfora para o mundo de plástico e para a maluquice vazia, a digitalização dos sentidos e a inconsciência consentida. Uma viagem que inclui momentos de celebração efusiva, festa cínica e ressaca inevitável. Para celebrar de fato e gravata, como deve ser.

 Espectáculo de Encerramento

THE LEGENDARY TIGER MAN

 “(…) Ele é Legendary Tiger Man. Ele é Paulo Furtado, corpo esguio tatuado, guitarra blues em punho, o passado e o presente do rock danado espelhados nos óculos.”

“Paulo Furtado é um caso notável porque contraria em absoluto duas tendências tidas como muito portuguesas: poucos lhe ouvirão a rabugice típica da má fortuna de ter nascido nestes 92 mil metros quadrados; poucos terão o desplante de desvalorizar o esforço que faz em atravessar a fronteira com os argumentos que reconhecemos aos grandes.” BLITZ

 "Paulo Furtado transforma-se em mensageiro de western blues rock quando veste a pele de Legendary Tiger Man. Venha a viagem ao delta do Mississípi, agora por via do recém-lançado "Femina".

(…)

Furtado, que fez parte dos extintos (e, para alguns, já lendários) Tédio Boys e é o mentor dos incansáveis Wraygunn, conhece por dentro o espectro do blues-rock. No projecto The Legendary Tiger Man está só, mas não está sozinho. Tem a companhia dos muitos que se abstêm de resistir a esta música eléctrica e sensual, que já os convidou a percorrer as florestas de "Masquerade" (2006), a deitar olhares de "voyeur" aos corpos inebriados pelos seus "Naked Blues" (2004) e até a alinhar num novo espírito de Natal em "Fuck Christmas, I Got the Blues" (2003).”  PÚBLICO

The Legendary Tiger Man, ele próprio, ao vivo, no encerramento do Faial Filmes Fest 2009.

 

PARCEIROS INSTITUCIONAIS

Ministério da Cultura / ICA – Instituto do Cinema e Audiovisual | Governo dos Açores: Direcção Regional da Cultura | Direcção Regional do Turismo | Direcção Regional das Comunidades | Direcção Regional da Juventude | Câmara Municipal da Horta | Federação Portuguesa de Cineclubes | Federação Internacional de Cineclubes

 

PATROCINADORES

Principal Patrocinador Privado | Fábrica de Tabaco Estrela | Onda Curta | Associação de Agricultores da Ilha do Faial | Faial Resort Hotel

TAP | Associação Regional de Turismo dos Açores | Câmara do Comércio e Indústria da Horta | Hortaludus, EM | Restart Ilha Verde Rent-a-Car | Barão Palace

 

APOIOS

Cinemateca Portuguesa | Cinemate | Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça | OMA – Observatório do Mar dos Açores | Gráfica Telegrapho | Secretaria Regional do Ambiente e do Mar | Café Cine Teatro | C.A.S.A. Bar | XF Bar | Taberna de Pim | A Árvore | Peter Café Sport | Kabem Todos | Café Rumar

 

PARCEIROS MÉDIA

RTP Açores | RDP Açores | RTP2 | Fotograma – RTPN | Euronews | Revista Premiere | FM-News | Revista Cinema | Açoriano Oriental

 

A EQUIPA DO FFF’09

DIRECTOR GERAL: Luís Pereira

DIRECTORES DO FESTIVAL: Luís Pereira (luispereira@cineclube.org ) | Maria Carvalho (mmagalhaes@uac.pt) Renata Lima (renatalima@cineclube.org )

DIRECÇÃO DE PRODUÇÃO: Luís Pereira
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Edição Sessões - Fausto André
| Projecções - Erminio Arrichi | Bruno Barata | Som: Zeca Sousa

COMISSÃO DE SELECÇÃO OFICIAL: Luís Pereira | Maria Carvalho | Renata Lima

PROGRAMAÇÃO: (programacao@cineclube.org ) | Luís Pereira | Maria Carvalho | Renata Lima
ASSESSORIA DE IMPRENSA  Renata Lima

SECRETARIADO: (office@azoresfilmfestival.org) | Maria Carvalho

ACOLHIMENTO: Renata Lima | Carlos Faria | José Leitão | Hélio Pamplona
COORDENAÇÃO FFF’09 ESCOLAS: Cristina Carvalhinho

PRODUÇÃO EXECUTIVA ACTIVIDADES PARALELAS: Luís Pereira | Concertos: Pedro Lucas | Workshops: Fausto André
APRESENTAÇÃO DA SESSÃO DE ENCERRAMENTO: Carla Cook
DESIGN GRÁFICO: Gonçalo Cabaça
| Mascote (Vaca): Ágata Biga
TROFÉU Carlos Dutra
SPOT TV: Paulo Neves
REGISTO DE VÍDEO: Festival - Roberto Saraiva
| TV - Bruno Melo

FOTÓGRAFO DO FESTIVAL: Jorge Góis

CONSULTORIA INFORMÁTICA : João Rosa | Hugo Rombeiro

WEBMASTER: João Rosa | (João.rosa@azoresfilmfestival.org )

(informação do Faial Filmes Fest)


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