news

2064/2009

sábado

set.17

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva,  Isabel Santos e Falco Fernandes

57º Festival de San Sebastian

Donostia / San Sebastian - Espanha

17 a 26 de Setembro

 

 

 

 

LE REFUGE

de François Ozon

 

 

François Ozon é um habitué de San Sebastián, esta maravilhosa cidade, em cujo festival teve, pela primeira, vez um filme, ainda de curta-metragem, em competição.

No segundo dia da edição 57 do Festival de San Sebastián, a sala grande do Kursaal abriu a Selecção Oficial em competição com mais um filme deste realizador francês bem conhecido do público que frequenta o certame basco e quase encheu os 1800 lugares de que dispõe a sala.

Depois de uma fugaz visão nocturna de Paris, surgiram na tela imagens de uma realidade cruel e incomodativa, levando alguns mais sensíveis a abandonar a sala, tendo mesmo alguém desmaiado na plateia, o que implicou a interrupção da projecção e a entrada em cena do "112" basco.

Um jovem casal vive dias de desespero na falta da droga e ansiando pela mesma, entra numa espiral de autodestruição, sem regresso.

Um drama que acaba com a morte de Louis, Melvil Poupaud, e deixa Mousse, Isabelle Carré, a braços com a culpa de ter sobrevivido.

Mousse enceta uma nova fase da sua vida, desta vez o seu refúgio deixa de ser a droga e passa a ser algures, numa praia no Pais Basco, onde tenta afastar-se da realidade e de tudo o que lhe aconteceu até Paul, Louis Ronan-Choisy, irmão de Louis aparecer para a ver e decidir ficar por uns tempos.

Um filme sobre as relações humanas em que a busca pelo amor, amizade, partilha e reaprendizagem desta relações são o centro de toda a história, deste drama bem íntimo não só no argumento como na maneira de filmar.

Um filme que intimida e não deixa indiferente quem o está a ver, levantando problemas sobre o relacionamento entre os seres humanos e os seus conflitos internos.

Para LE REFUGE, de François Ozon, com Melvil Poupaud, Isabelle Carré e Louis Ronan-Choisy, 3 écrans, filme com interesse.

Isabel Santos

(Difundido no Grande Écran 590)

 

 

*******************************************

 

Conferência de imprensa de LE REFUGE:

 

Depois da sessão no Kursaal 1, seguiu-se uma conferência de imprensa com a presença do realizador François Ozon, dos actores Isabelle Carré e Louis Ronan-Choisy, e da produtora do filme, Claudie Ossard.

As perguntas foram dirigidas, na sua maioria, ao realizador francês que se mostrava significativamente satisfeito pois esta era a primeira exibição do seu novo filme ao publico e perante um público exigente como o do festival.

François sublinhou que esta era um história dramática, quase uma biografia de Mousse, a personagem da história, numa dada altura da sua vida.

Referiu ainda que escolheu este tema particular que tanto incomoda mas que é muito frequente nas classes mais ricas: a falta de tempo, a solidão dos filhos pela falta de atenção dos pais, mas que nem por isso deixam de ter capacidade financeira e leva-os muitas vezes a situações de caos e até â morte como é o caso de Louis, que morre de overdose e é descoberto pela própria mãe, quando esta tenta arrendar um apartamento de família, que é o refúgio do Louis e Mousse.

Depois,  a perda de Louis no seio familiar e as soluções escolhidas pela família, por fim aquilo que o moveu para fazer este filme, a relação inexistente entre uma heroinómana em recuperação e o filho que carrega a sua repulsa em tocar a barriga, falar com o filho, ter um nome para lhe dar e a esconder-se do mundo que a rodeia sem se conseguir encontrar ou ter capacidade de amar e de dar um rumo novo  a uma vida longe das drogas e da integração na sociedade.

Foram esses conflitos que o levaram a escrever este argumento, o final abrupto e pouco comum, foi pensado e escrito depois de muitas conversas com mães naquela situação, sobre as suas dificuldades em lidar com a gravidez e depois com uma criança que não é esperada, a falta de amor que sentem por elas e as leva, na grande maioria, a doarem as crianças e a partirem  sem remorsos para uma vida que tem de ser reaprendida.

Por fim Isabelle Carré referiu que embora a sua vida em nada se compare â da personagem que interpreta, Mousse, e que jamais abandonaria um filho, percebe a opção de Mousse que foi inspirada em muita raparigas e naquilo que que elas sentem, na repulsa e remorsos que carregam.

Finalmente o realizador e a produtora mostraram-se muito agradados com a reacção do público e da imprensa neste arranque do festival, mas também na premiére mundial do seu filme.

 

 

 

 

Da esquerda para a direita,

a produtora Claudie Ossard, a actriz Isabelle Carré,

o realizador François Ozon e o actor Louis-Ronan Choisy

(by José Mário Bastos)

 

 

BACK | EMAIL | HOME