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news 2064/2009 sábado set.17 |
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Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva, Isabel Santos e Falco Fernandes |
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Conferência de imprensa de LE REFUGE:
Depois da sessão no Kursaal 1, seguiu-se uma conferência de imprensa com a presença do realizador François Ozon, dos actores Isabelle Carré e Louis Ronan-Choisy, e da produtora do filme, Claudie Ossard. As perguntas foram dirigidas, na sua maioria, ao realizador francês que se mostrava significativamente satisfeito pois esta era a primeira exibição do seu novo filme ao publico e perante um público exigente como o do festival. François sublinhou que esta era um história dramática, quase uma biografia de Mousse, a personagem da história, numa dada altura da sua vida. Referiu ainda que escolheu este tema particular que tanto incomoda mas que é muito frequente nas classes mais ricas: a falta de tempo, a solidão dos filhos pela falta de atenção dos pais, mas que nem por isso deixam de ter capacidade financeira e leva-os muitas vezes a situações de caos e até â morte como é o caso de Louis, que morre de overdose e é descoberto pela própria mãe, quando esta tenta arrendar um apartamento de família, que é o refúgio do Louis e Mousse. Depois, a perda de Louis no seio familiar e as soluções escolhidas pela família, por fim aquilo que o moveu para fazer este filme, a relação inexistente entre uma heroinómana em recuperação e o filho que carrega a sua repulsa em tocar a barriga, falar com o filho, ter um nome para lhe dar e a esconder-se do mundo que a rodeia sem se conseguir encontrar ou ter capacidade de amar e de dar um rumo novo a uma vida longe das drogas e da integração na sociedade. Foram esses conflitos que o levaram a escrever este argumento, o final abrupto e pouco comum, foi pensado e escrito depois de muitas conversas com mães naquela situação, sobre as suas dificuldades em lidar com a gravidez e depois com uma criança que não é esperada, a falta de amor que sentem por elas e as leva, na grande maioria, a doarem as crianças e a partirem sem remorsos para uma vida que tem de ser reaprendida. Por fim Isabelle Carré referiu que embora a sua vida em nada se compare â da personagem que interpreta, Mousse, e que jamais abandonaria um filho, percebe a opção de Mousse que foi inspirada em muita raparigas e naquilo que que elas sentem, na repulsa e remorsos que carregam. Finalmente o realizador e a produtora mostraram-se muito agradados com a reacção do público e da imprensa neste arranque do festival, mas também na premiére mundial do seu filme. |
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Da esquerda para a direita, a produtora Claudie Ossard, a actriz Isabelle Carré, o realizador François Ozon e o actor Louis-Ronan Choisy (by José Mário Bastos) |
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