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news 2036/2009 quinta SET.3 |
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Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva, Isabel Santos e Falco Fernandes |
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5 écrans
SACANAS SEM LEI de Quentin Tarantino
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Se não nos falha a memória, desde 1994, ano em que agitou os meios cinéfilos galácticos com o seu luminoso e provocador PULP FICTION, que o rapaz Tarantino não fazia chegar aos deus cultores um filme com o vigor e a audácia deste que agora aterra nos cinemas! Sem grandes deslizes, mantendo uma regularidade de carreira invulgar nos nossos dias, o certo é que aquele que foi quase a sua estreia em cinema de fundo arrastou multidões e prometeu uma nova estrela no firmamento norte-americano, um autodidacta que conseguia fazer filmes de grande qualidade por tuta e meia, com elencos de elevada craveira. Pois aí está ele de volta em todo o seu esplendor, num berro de excelência contra o nazismo, tão fascinante como foi A VIDA É BELA de Benigni ou o mais conservador A LISTA DE SCHINDLER de Spielberg. Como lhe é característico, Tarantino usa o humor ao seu jeito, mas manuseia a violência de uma forma magistral e ímpar, para levar a água ao seu moinho e, para quem ainda restassem dúvidas, aí está à vista de todos, SACANAS SEM LEI, no original INGLORIOUS BASTERDS, malhando forte e feio em quem não merecia nem merece outro tratamento, mas raramente foi posto em cinema com esta crueza impressionante. Segundo um argumento da sua autoria, coloca os “i” debaixo dos respectivos pontos e cumpre aquele velho preceito Cristão de que “amor com amor se paga”, de uma forma muito sua, claro está. É bom constatar que, de tempos a tempos, um cineasta se lembra de evocar um período tenebroso da história do século passado que alguns “sacanas com lei” insistem em negar, com as provas factuais e os testemunhos pessoais que a história legou, porque o perigo seria mesmo o nazismo cair no esquecimento e florescer no subsolo, às escondidas do olhar atento e vigilante de todos. SACANAS SEM LEI relata a acção de um grupo de soldados judeus, lançados como civis em território do 3º Reich durante a Segunda Guerra Mundial, para semearem o terror entre as tropas nazis, com especial atenção aos sinistros “SS”, responsáveis por grande parte daquilo que ficou conhecido como o holocausto. Uma das ideias mais brilhantes do filme, foi a exigência colocada aos elementos do pelotão, da recolha dos escalpes da suas vítimas que deveriam entregar ao seu comandante que exige a cada um, 10 escalpes. Pode parecer cruel ou mesmo animalesca, esta atitude, afinal suave para quem violava, torturava e chacinava novos e velhos, mulheres e crianças, depois de os despojar de tudo o que possuíam, pelo simples facto de serem judeus, mas a eficiência nazi, justifica afinal toda e qualquer punição histórica no cinema e na vida. De novo com um elenco de elevada craveira, com destaque para Brad Pitt, no papel do tenente Aldo Raine, SACANAS SEM LEI, de Quentin Tarantino, a merecer-nos sem margem para dúvida, 5 ecrãs, filme decididamente a não perder. (Grande Écran 587 de 3 de Setembro)
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