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Completaram-se no dia 23 do mês passado, 75 anos
sobre a morte de Bonnie Parker e Clyde Barrow, dois
dos mais célebres criminosos que a América produziu
nos tempos modernos, excluindo a época da conquista
do oeste, invulgarmente fértil nesse matéria.
A sua morte aconteceu de um modo terrível, numa
emboscada montada pela polícia, sob o fogo de dezena
de atiradores que transformaram o Ford V-8 em que se
deslocavam literalmente num passador, e deixaram os
corpos estraçalhados do casal abandonados na
estrada.
O facto de serem de origem humilde, da época de
depressão em que viveram os encaminhar para a via do
crime, o amor que entre eles eclodiu e os uniu ao
longo do seu trajecto, o tempo e energias consumidas
pelas autoridades até lhes deitarem a mão,
transformou-os num tipo muito especial de heróis,
por vezes associado ao nosso Zé do Telhado.
Sobre eles, escreveram-se livros, compuseram-se
canções, produziram-se musicais e fizeram-se vários
filmes, de que o mais célebre foi dirigido em 1967
por
Arthur Penn e protagonizado por
Warren Beatty
e
Faye Dunaway, detentor de 2 Oscars, outros 17 prémios e mais
22 nomeações.
Como quase sempre sucede, a realidade foi ficcionada
de molde a dar uma imagem que peca pelo excesso no
que toca ao “heroísmo” e por defeito na baixeza da
sua condição e da sua carreira de criminosos.
Recentemente, a NPR, National Public Radio,
norte-americana, difundiu uma entrevista com o
biógrafo Jeff Guinn, autor do livro “The Real Story
Of Bonnie And Clyde” (A Verdadeira História de Bonie
e Clyde) que nos chegou através de Ana Branco e
reproduziremos sem tradução, no final desta edição.
Falco Fernandes
(Plano de Abertura do
Grande Écran
575 de 11 de Junho) |