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1982/2009

quinta

jun.11

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva,  Isabel Santos e Falco Fernandes

  

4 écrans

 

 

 

 

 

GÉNOVA

de Michael Winterbottom

 

Afastando-se sempre da trivialidade e criando obras que de uma forma ou de outra quebram a linearidade monocórdica do cinema mainstream, por alguma razão a produtora se chama “Revolution Films”, chega às nossas salas esta semana o penúltimo filme co-escrito  realizado pelo britânico Michael Winterbottom, quando já tem mais dois em rodagem e outros tantos em pré-produção.

Começando pela televisão duas décadas atrás e saltando rapidamente para o cinema, há 13 anos que a ele se dedica exclusivamente, somando já 18 títulos e, como se disse, tendo no bolso mais 4 que lhe preencherão a vida até 2012, pelo menos.

Oscilando entre a ficção e o documentário ficcionado, foi neste último género que viu melhor recompensados os seu dotes, especialmente com A CAMINHO DE GUANTANAMO e NESTE MUNDO, distinguidos com prémios grandes nos BAFTA e em Berlim.

O trabalho que agora nos chega já vem creditado com dois galardões, um dos quais a Concha de Prata de Melhor Realizador de San Sebastián, o certame basco onde é figura querida, presente com regularidade, na selecção oficial em competição ou nas Pérolas da Zabaltegi.

Com uma exemplar condução do fio dramático da narrativa e assente na meticulosa criação do clima mais adequado a cada momento, Winterbottom relata-nos o trajecto de uma família confrontada com uma perda irreparável que decide alterar radicalmente a sua vida, mudando de cãs, de terra, de país.

A escolha de Génova como destino está longe de ser ocasional e a cidade é-lhes revelada e aos olhos dos espectadores como a pérola de rara beleza que é, mas deixando a breve trecho entrever, em sucessivos e fugazes planos, as zonas menos glamourosas e mais degradadas, insinuando que nem tudo serão rosas no caminho agora encetado.

Uma vez instalados na sua nova casa, o pai Ben de volta ao ensino, a filha mais nova Mary retomando as aulas de piano e a mais velha Kelly usufruindo de férias, depressa surgem os primeiros sinais de que o passado também viajou com eles para Génova e terão de o enfrentar, ultrapassando as feridas com que os marcou.

Se a visita guiada ao submundo da cidade e a festa em que participam a seguir dão início à integração plena dos três na sociedade que os rodeia, “Genova, La Superba” como alguém sublinha, falta a Kelly o mergulho na noite, com um grupo de jovens deslocando-se em scooters por caminhos em que a vida palpita, de uma forma fascinante para a menina que está em vias de crescer.

Winterbottom resolve o drama que escreveu e filmou de forma habilidosa, seguindo um caminho sinuoso como é o da própria vida, mas deixando à reflexão do espectador muito que fica por dizer, mas se apercebe nas entrelinhas desta ficção.

Para GÉNOVA, de Michael Winterbottom, com Colin Firth, Perla Haney-Jardine, Willa Holland, Catherine Keener, 4 écrans, filme decididamente a ver.

Falco Fernandes

(Grande Écran 575 de 11 de Junho)

 

 

 

 

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