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Dois anos depois de ter sido lançado, chega esta
semana às nossas salas o filme escrito e realizado
por
Jeff Nichols,
distinguido com 3 prémios e uma nomeação com esta
sua primeira obra.
Situando o filme no sul dos Estados Unidos, numa
zona de algodão apresentada aos nosso olhar em
planos concisos de grande beleza, o drama centra-se
numa família dividida, pouco comunicativa, que se
dedica à piscicultura, confrontada logo no início
com a morte do patriarca.
Durante o funeral, Hayes, filho do defunto, faz
questão de dizer algumas palavras sobre o pai que
esclarecem muita coisa sobre ele e a situação real,
de um homem dividido entre duas famílias e
naturalmente odiado pela que deixara para trás.
Esboçam-se então os primeiros indícios do confronto
eminente entre os dois clãs, liderado pelos
meio-irmãos Mark e primeiro filho do defunto Hayes,
cujo final é impossível prever.
Passado este primeiro instante crítico, a narrativa
prossegue num clima conformado e derrotista que
reflecte o espírito da América dos dias hoje,
desprovida de esperança e do orgulho nacional que
durante gerações a caracterizou.
O dia a dia é retomado, sem alterações visíveis, mas
respira-se no ar a tensão do que estará para vir:
Mark não perdoará a afronta e resta ao seu
meio-irmão esperar que ele esboce o primeiro gesto,
conduzindo a vida na quinta como se tudo corresse
sobre rodas.
Mas quando a violência eclode, revela-se brutal e
imparável, seguindo num crescendo, como se duma peça
sinfónica se tratasse, revelando a verdadeira alma
de um povo que se fez e cresceu, apoiado nela,
cultivando-a até aos nossos, seja sobre os de fora,
seja entre os próprios cidadãos, aqui levada ao
extremo no seio dum grupo de irmãos, pessoas do
mesmo sangue.
Nichols conduz a sua sinfonia da violência com
grande mestria, coisa rara em iniciados, bastante
bem apoiado no actor escolhido para a personagem
principal, “Son” Hayes.
Para
HISTÓRIAS DE CAÇADEIRA,
de
Jeff Nichols,
com
Michael Shannon, Dougla Ligon, Barlow Jacobs,
4
écrans, filme decididamente a ver.
Isabel Santos
(Grande Écran
575 de 11 de Junho) |