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1973/2009

quinta

abr.16

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva,  Isabel Santos e Falco Fernandes

  

4 écrans

 

 

 

NO LIMITE

DO AMOR

de John Maybury

 

 

Vera e Caitlin, unidas no amor e na vida

Do pouco conhecido realizador britânico John Maybury e segundo um argumento de Sharman Macdonald, está em exibição entre nós o drama romântico biográfico NO LIMITE DO AMOR, cujos papéis principais são interpretados por Keira Knightley, Sienna Miller, Cillian Murphy e Matthew Rhys.

O enredo situa-se na década de 40 e relata o envolvimento do brilhante poeta Dylan Thomas, com Vera Phillips e Caitlin, duas mulheres de espírito livre que ama em simultâneo, com idêntico fervor e paixão.

O filme abre com uma chapada de luz e cor sobre Vera, interpretando uma canção sobre um cenário tropical, a presença mágica e deslumbrante de Keira Knightley, durante a rodagem de uma cena dum filme, logo interrompida pelas sirenes características do blitz londrino e as imagens das chamas consumindo ruínas de habitações destruídas pelas bombas alemães.

Vera reencontra Dylan num bar e a paixão adormecida explode de imediato de uma forma explosiva e inflamada, embora o poeta seja agora pai de uma criança de Caitlin, de quem tem de cuidar, acabando por se juntarem os três e confrontarem-se com a situação.

Daí até ao envolvimento de Vera, Dylan e Caitlin, vai um pulinho, fácil de dar em tempos de guerra e de morte, quando às pessoas nada resta senão o amor, literalmente um “tempo para amar e para morrer”, como disse Remarque num clássico sobre a guerra.

Construído numa forma poética sublinhada pelos poemas de Dylan, ditos ou sussurrados de modo recorrente, o que poderia ser um filme provocatório, atentando contra os costumes, senão de hoje, pelo menos da época, acaba transformando-se num fresco de invulgar beleza, uma elegia ao amor, como nos é raro ver na tela, nos tempos que correm.

A aparição de Cillian Murphy assemelha-se, como sempre, à entrada de um anjo na tela, salvando-o de uma renhida agressão por parte de um marinheiro bêbado, numa rua deserta da capital londrina.

A música de Angelo Badalamenti sublinha de forma sublime uma narrativa que se mantém constante ao longo de todo o filme, oscilando entre os dois pólos amor e morte, essências da vida elevadas ao estatuto de arte pelo invulgar talento do realizador, com um desfecho de ouro.

Para NO LIMITE DO AMOR, de John Maybury, com Keira Knightley, Sienna Miller, Cillian Murphy e Matthew Rhys, com música de Angelo Badalamenti, 4 écrans, filme decididamente a ver.

Falco Fernandes

(Grande Écran 574 de 4 de Junho)

 

 

 

 

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