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1956/2009

domingo

mai.10

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva, Isabel Santos e Falco Fernandes

 

 

 

 

Balanço dos

"Encontros"

 

 

 

Manoel de Oliveira homenageado em Viana

Na madrugada da passada segunda-feira, deixou-nos Vasco Granja, aos 83 anos de idade, perda irreparável do cinema português e, no que nos toca pessoalmente, de um amigo de muito longa data.

Apaixonado pelo cinema, tomaria contacto com o meio aos a6 anos, vindo a envolver-se no início da década de 50, no movimento cineclubista, nomeadamente integrando a direcção do Cine-Clube Imagem.

Comunista convicto, foi preso pela polícia política por diversas vezes, iniciando-se na escrita sobre cinema de animação em finais da década de 50, revelando a este país que este género maior ia muito além dos filmes da Disney, por exemplo dando-nos a conhecer a obra do canadiano Norman McLaren.

Colaborou intensamente na promoção e divulgação da banda desenhada, mas atingiu o auge da popularidade com o seu programa de animação na RTP que teve mais de 100 emissões e atingiu vastas audiências de diversas gerações.

Sem ele, talvez a visão que temos da animação fosse ainda hoje castrada pelas grandes companhias de produção americanas, a que se limitam as distribuidoras no nosso país.

Graças a ele, aprendemos que o cinema de animação (como aliás todo o cinema) se faz muito mais com ideias do que com dinheiro e no género específico da animação, se pode fazer com um rolo de fita, uma agulha de gramofone e umas canetas.

Em nome de toda a equipa, adeus amigo Granja, obrigado por tudo o que nos deste.

Falco Fernandes

(Plano de Abertura do Grande Écran 571 de 14 de Maio)

 

 

 

 

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