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Na madrugada da passada segunda-feira, deixou-nos
Vasco Granja,
aos 83 anos de idade, perda irreparável do cinema
português e, no que nos toca pessoalmente, de um
amigo de muito longa data.
Apaixonado pelo cinema, tomaria contacto com o meio
aos a6 anos, vindo a envolver-se no início da década
de 50, no movimento cineclubista, nomeadamente
integrando a direcção do Cine-Clube Imagem.
Comunista convicto, foi preso pela polícia política
por diversas vezes, iniciando-se na escrita sobre
cinema de animação em finais da década de 50,
revelando a este país que este género maior ia muito
além dos filmes da Disney, por exemplo dando-nos a
conhecer a obra do canadiano Norman McLaren.
Colaborou intensamente na promoção e divulgação da
banda desenhada, mas atingiu o auge da popularidade
com o seu programa de animação na RTP que teve mais
de 100 emissões e atingiu vastas audiências de
diversas gerações.
Sem ele, talvez a visão que temos da animação fosse
ainda hoje castrada pelas grandes companhias de
produção americanas, a que se limitam as
distribuidoras no nosso país.
Graças a ele, aprendemos que o cinema de animação
(como aliás todo o cinema) se faz muito mais com
ideias do que com dinheiro e no género específico da
animação, se pode fazer com um rolo de fita, uma
agulha de gramofone e umas canetas.
Em nome de toda a equipa, adeus amigo Granja,
obrigado por tudo o que nos deste.
Falco Fernandes
(Plano de Abertura do
Grande Écran
571 de 14 de Maio) |