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1955/2009

domingo

mai.10

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva,  Isabel Santos e Falco Fernandes

IX Encontros de Viana

- Cinema e Vídeo

Viana do Castelo - 4 a 10 de Maio

 

 

Competição

Primeiro Olhar -

Olhares Frontais 04

 

No domingo, debate "Distribuição e Exibição

do documentário em Portugal",vendo-se na mesa

Jorge Campos, Anxo Santomil e Fernando Mateus,

director do Grande Écran e da FM-Radio

(conclusão)

Concluindo a referência à competição Primeiro Olhar dos Olhares Frontais, começamos por SHARK de Raquel Lages e André Cardoso, segunda presença do Curso de Iniciação ao Documentarismo – Oficina de Vídeo Digital da Ao Norte, na selecção oficial, o retrato, a um tempo conformado e optimista, dum jovem oriundo duma ex-colónia africana imigrante no nosso país, também estabelecido em Viana do Castelo, cujo sonho é entrar para um curso superior de Medicina ou de Engenharia Informática.

Shark, como é conhecido, fala das dificuldades de integração sentidas no princípio da sua estadia entre nós, mas também da sua certeza em concluir um curso, da necessidade imperiosa em trabalhar por isso e da intenção firme em regressar ao seu país, colocando ao serviço do seu povo os conhecimentos adquiridos.

Um documento de olhar fixado no seu alvo, apenas prejudicado, aqui e além, por alguma dificuldade em entender a narrativa na primeira pessoa, o que em nada lhe retira o mérito.

ALINHA de Manuel Francisco Guerra, é uma abordagem crua e intensa do “bullying”, um fenómeno da juventude dos nossos dias, a clareza e abordagem do tema só pode ficar a dever-se a experiência pessoais do autor ou de um contacto muito directo com elas, através de alguém muito próximo.

Manuel Francisco Guerra, um jovem de 17 anos do Curso de Comunicação Audiovisual da Escola Secundária Artística António Arroio, tira várias radiografias a esta forma de violência comum nos meios jovens da classe escolar, através do testemunho de diversos jovens que a sofreram na pele ou viveram de perto essa experiência, tentando encontrar uma razão de ser, uma justificação para um comportamento aparentemente inexplicável.

Do painel, resulta uma abordagem abrangente e diversificada do tema, senhora de um tratamento plástico e coreográfico que enaltece o jovem autor.

RESERVADO de Paula Preto foi filmado no salão Júlio Dinis, um local de convívio em que as mesas e cadeiras rodeiam uma imensa pista de dança, onde casais de alguma idade se encontram regularmente para muito simplesmente dançarem.

Maridos e mulheres, solteiros e viúvos, pessoas das mais diversas sensibilidades e feitios, cruzam-se na arena, numa “fiesta” a um tempo graciosa e terna, que é entre cortada com depoimentos dos intervenientes, confessando as razões que os levam ali, quase sempre a necessidade de convívio, invariavelmente o prazer de dançar.

Tudo obedece a rituais pré-estabelecidos, sentados nas suas cadeiras, os cavalheiros deitam olhadelas mais ou menos discretas às damas “disponíveis”, das suas mesas, as damas esperam calmamente o convite que chegará e decidem aceitar u não a proposta, num autêntico ritual de namoro e acasalamento que se cumpre na pista, evoluindo ao som do conjunto que, do palco, vai debitando temas românticos ou latino-americanos que desafiam os casais para movimentos mais arrojados.

Filmado com a luz adequada ao local e estabelecendo com os entrevistados o clima íntimo adequado às confissões mais surpreendentes, um trabalho de uma humanidade brilhante e de uma beleza plástica excelente que talvez só pudesse sair da mão de uma realizadora.

Fica aqui concluído o nosso olhar sobre os filmes em competição na edição deste ano dos Olhares Frontais.

 

Falco Fernando

(Grande Écran 571 de 14 de Maio)

 

 

 

 

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