(conclusão)
Concluindo a
referência à
competição
Primeiro Olhar
dos
Olhares Frontais,
começamos por
SHARK
de
Raquel Lages
e André Cardoso,
segunda
presença do
Curso de
Iniciação ao
Documentarismo –
Oficina de Vídeo
Digital da Ao
Norte,
na selecção
oficial, o
retrato, a um
tempo conformado
e optimista, dum
jovem oriundo
duma ex-colónia
africana
imigrante no
nosso país,
também
estabelecido em
Viana do
Castelo, cujo
sonho é entrar
para um curso
superior de
Medicina ou de
Engenharia
Informática.
Shark, como é
conhecido, fala
das dificuldades
de integração
sentidas no
princípio da sua
estadia entre
nós, mas também
da sua certeza
em concluir um
curso, da
necessidade
imperiosa em
trabalhar por
isso e da
intenção firme
em regressar ao
seu país,
colocando ao
serviço do seu
povo os
conhecimentos
adquiridos.
Um documento de
olhar fixado no
seu alvo, apenas
prejudicado,
aqui e além, por
alguma
dificuldade em
entender a
narrativa na
primeira pessoa,
o que em nada
lhe retira o
mérito.
ALINHA
de
Manuel Francisco
Guerra,
é uma abordagem
crua e intensa
do “bullying”,
um fenómeno da
juventude dos
nossos dias, a
clareza e
abordagem do
tema só pode
ficar a dever-se
a experiência
pessoais do
autor ou de um
contacto muito
directo com
elas, através de
alguém muito
próximo.
Manuel Francisco
Guerra, um jovem
de 17 anos do
Curso de
Comunicação
Audiovisual da
Escola
Secundária
Artística
António Arroio,
tira várias
radiografias a
esta forma de
violência comum
nos meios jovens
da classe
escolar, através
do testemunho de
diversos jovens
que a sofreram
na pele ou
viveram de perto
essa
experiência,
tentando
encontrar uma
razão de ser,
uma justificação
para um
comportamento
aparentemente
inexplicável.
Do painel,
resulta uma
abordagem
abrangente e
diversificada do
tema, senhora de
um tratamento
plástico e
coreográfico que
enaltece o jovem
autor.
RESERVADO
de
Paula Preto
foi filmado no
salão Júlio
Dinis, um local
de convívio em
que as mesas e
cadeiras rodeiam
uma imensa pista
de dança, onde
casais de alguma
idade se
encontram
regularmente
para muito
simplesmente
dançarem.
Maridos e
mulheres,
solteiros e
viúvos, pessoas
das mais
diversas
sensibilidades e
feitios,
cruzam-se na
arena, numa
“fiesta” a um
tempo graciosa e
terna, que é
entre cortada
com depoimentos
dos
intervenientes,
confessando as
razões que os
levam ali, quase
sempre a
necessidade de
convívio,
invariavelmente
o prazer de
dançar.
Tudo obedece a
rituais
pré-estabelecidos,
sentados nas
suas cadeiras,
os cavalheiros
deitam olhadelas
mais ou menos
discretas às
damas
“disponíveis”,
das suas mesas,
as damas esperam
calmamente o
convite que
chegará e
decidem aceitar
u não a
proposta, num
autêntico ritual
de namoro e
acasalamento que
se cumpre na
pista, evoluindo
ao som do
conjunto que, do
palco, vai
debitando temas
românticos ou
latino-americanos
que desafiam os
casais para
movimentos mais
arrojados.
Filmado com a
luz adequada ao
local e
estabelecendo
com os
entrevistados o
clima íntimo
adequado às
confissões mais
surpreendentes,
um trabalho de
uma humanidade
brilhante e de
uma beleza
plástica
excelente que
talvez só
pudesse sair da
mão de uma
realizadora.
Fica aqui
concluído o
nosso olhar
sobre os filmes
em competição na
edição deste ano
dos
Olhares Frontais.