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1954/2009

domingo

mai.10

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva,  Isabel Santos e Falco Fernandes

IX Encontros de Viana

- Cinema e Vídeo

Viana do Castelo - 4 a 10 de Maio

 

 

Competição

Primeiro Olhar -

Olhares Frontais 03

 

 

IMEMÓRIA de Mariana Castro

(continuação)

IMEMÓRIA de Mariana Castro, aluna da Escola Superior de Teatro e Cinema, realizou um belo filme que é um relato de uma jovem russa na primeira pessoa, quase sempre em voz off e num tom bastante intimista, ajudado por uma iluminação cuidada ao extremo.

Nela, a protagonista revê as memórias de alguém que viveu nos tempos áureos da revolução soviética, na juventude tentava “furar” a rigidez do normativo vigente, da mesma forma que mais tarde e após a Perestroika, muitos jovens se apresentavam nas escolas com as fardas, entretanto abolidas, em manifestação de protesto contra a degradação em curso, dos valores propalados pelo sistema.

Trabalho de grande rigor e beleza plástica, a exposição duma alma aos olhos do espectador, longe de qualquer tentação exibicionista, em tom de confidência aberta, partilhando convicções e incertezas, tentações e desvios, assente com segurança na memória dos antepassados e dum tempo em que os valores morais e éticos prevaleciam acima de tudo o resto.

Com este filme se concluiu o primeiro programa de filmes em competição, sendo exibido o segundo no sábado, pelas 12h15.

A segunda série teve início com CIDADANIA 21 de Hugo Maçãs, produzido pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, um documentário vivo e uma empolgante abordagem duma franja, tradicionalmente marginalizada, da comunidade que somos; os diminuídos portadores de Síndrome de Down.

Uma chamada de atenção e tentativa de reinserção social de um grupo de jovens que se dedicam à natação, obtendo resultados surpreendentes e elevando bem alto a imagem dum país que simplesmente os ignora.

Um olhar sobre o seu entusiasmo, a sua solidariedade, o empenho posto na competição e a euforia nos momentos de glória, desencadeando manifestações de grande carinho mútuo, imbuídos duma ternura que é apanágio deste tipo de pessoas.

Seguiu-se-lhe MANUEL DO LAÇO de Eduardo Borda D'Água, Nuno Ribeiro e Roch Moreira, centrado num ícone do desporto português, o mais emblemático adepto do Boavista, numa cativante conversa por ele conduzia sobre toda uma vida de dedicação a um ideal, um longo trajecto marcado pelo amor ao clube, misturado com uma grande dedicação à família e que passou por uma longa ausência na América, sempre com o seu Boavista no coração.

Senhor de um discurso notável e imparável, Manuel do Laço é uma personagem capaz de alimentar de forma saborosa e intensa o filme, sem quebras, nem hesitações, sempre possuído da generosidade e bonomia que é seu apanágio e o filme regista com notável habilidade.

Ainda regressaremos aos filmes em competição nesta edição dos Olhares Frontais.

(a concluir)

Isabel Santos

(Grande Écran 571 de 14 de Maio)

 

 

 

 

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