(continuação)
IMEMÓRIA
de
Mariana Castro,
aluna da
Escola Superior
de Teatro e
Cinema,
realizou um belo
filme que é um
relato de uma
jovem russa na
primeira pessoa,
quase sempre em
voz off e num
tom bastante
intimista,
ajudado por uma
iluminação
cuidada ao
extremo.
Nela, a
protagonista
revê as memórias
de alguém que
viveu nos tempos
áureos da
revolução
soviética, na
juventude
tentava “furar”
a rigidez do
normativo
vigente, da
mesma forma que
mais tarde e
após a
Perestroika,
muitos jovens se
apresentavam nas
escolas com as
fardas,
entretanto
abolidas, em
manifestação de
protesto contra
a degradação em
curso, dos
valores
propalados pelo
sistema.
Trabalho de
grande rigor e
beleza plástica,
a exposição duma
alma aos olhos
do espectador,
longe de
qualquer
tentação
exibicionista,
em tom de
confidência
aberta,
partilhando
convicções e
incertezas,
tentações e
desvios, assente
com segurança na
memória dos
antepassados e
dum tempo em que
os valores
morais e éticos
prevaleciam
acima de tudo o
resto.
Com este filme
se concluiu o
primeiro
programa de
filmes em
competição,
sendo exibido o
segundo no
sábado, pelas
12h15.
A segunda série
teve início com
CIDADANIA 21
de
Hugo Maçãs,
produzido pela
Escola Superior
de Comunicação
Social de Lisboa,
um documentário
vivo e uma
empolgante
abordagem duma
franja,
tradicionalmente
marginalizada,
da comunidade
que somos; os
diminuídos
portadores de
Síndrome de Down.
Uma chamada de
atenção e
tentativa de
reinserção
social de um
grupo de jovens
que se dedicam à
natação, obtendo
resultados
surpreendentes e
elevando bem
alto a imagem
dum país que
simplesmente os
ignora.
Um olhar sobre o
seu entusiasmo,
a sua
solidariedade, o
empenho posto na
competição e a
euforia nos
momentos de
glória,
desencadeando
manifestações de
grande carinho
mútuo, imbuídos
duma ternura que
é apanágio deste
tipo de pessoas.
Seguiu-se-lhe
MANUEL DO LAÇO
de
Eduardo Borda
D'Água,
Nuno Ribeiro
e
Roch Moreira,
centrado num
ícone do
desporto
português, o
mais emblemático
adepto do
Boavista, numa
cativante
conversa por ele
conduzia sobre
toda uma vida de
dedicação a um
ideal, um longo
trajecto marcado
pelo amor ao
clube, misturado
com uma grande
dedicação à
família e que
passou por uma
longa ausência
na América,
sempre com o seu
Boavista no
coração.
Senhor de um
discurso notável
e imparável,
Manuel do Laço é
uma personagem
capaz de
alimentar de
forma saborosa e
intensa o filme,
sem quebras, nem
hesitações,
sempre possuído
da generosidade
e bonomia que é
seu apanágio e o
filme regista
com notável
habilidade.
Ainda
regressaremos
aos filmes em
competição nesta
edição dos
Olhares Frontais.
(a concluir)