(continuação)
Continuando a
passagem em
revista dos
filmes em
competição pelo
prémio
Primeiro Olhar,
dos
Olhares Frontais,
seguiu-se, ainda
no primeiro
programa
O LIBERTINO
PASSEIA PELAS
CALDAS
de
Thais Guimarães,
uma notável
evocação de um
dos mais
provocadores e
geniais vultos
das letras
portuguesas,
Luís Pacheco,
um exemplo de
independência e
liberdade que,
como é afirmado
no filme, tocava
as raias da
libertinagem.
Um marginal,
sistematicamente
perseguido por
um regime
castrador, mas
rodeado de um
círculo de
amigos que o
acarinhavam e
apoiavam,
Pacheco aliava
esse seu modo
único de ser a
uma família
numerosa e
unida, que era a
sua principal
base de apoio,
num contraste
que foi apanágio
de toda a sua
vida.
Viveu nas Caldas
da Rainha muitos
anos e aí se
registaram as
imagens deste
trabalho que
contou com os
testemunhos de
diversas figuras
próximas dele
que o veneravam.
Um trabalho
tocante e um
contributo para
a recuperação
duma figura das
nossas letras,
injustamente
ostracizada pelo
nosso país.
FAMÍLIA AWAL
de
Joana Oliveira
e
Rui Silva
é situado na
cidade de Viana
do Castelo e
produzido no
âmbito duma
acção de
formação da
associação “ao
norte”, um
documentário de
narrativa muito
próxima da
reportagem sobre
um casal de
imigrantes, ele
oriundo do Nepal
e ela da
Tailândia, que
se conheceram
através da
internet,
juntaram-se na
Alemanha e
acabaram por se
fixar no nosso
país,
estabelecendo-se
nesta cidade.
Pais de um miúdo
com cerca de
dois anos,
acompanhamos a
fase final da
segunda gravidez
da mulher, até
ao nascimento da
filha que,
curiosamente,
sai à mãe, tanto
quanto o miúdo
sai ao pai.
A evocação da
sua caminhada
até aqui, a
manifestação do
prazer que
sentem em viver
entre nós,
especialmente
nesta pacata
terra “...Lisboa
tem mito ruído e
é suja...”,
diz em dada
altura o homem,
“...aqui,
posso sempre ver
o mar...”,
confessa a
mulher com um
sorriso rasgado
no rosto redondo
e moreno, são a
alma deste
trabalho que
resulta pela
empatia criada
entre cineastas
e actores, neste
caso
representando-se
a si próprios.
Algumas queixas
quanto à
morosidade e ao
mistério da
burocracia
portuguesa (quem
as não tem?...),
e, sobretudo, o
orgulho naquela
criança feliz e
na que está para
vir, preenchem o
filme sobre um
casal feliz e
integrado, que
mantém intactas
as ligações à
família e ao
país natal, mas
não fala em
regressar.
Feito por alunos
do
Curso de
Iniciação ao
Documentarismo –
Oficina de Vídeo
Digital da Ao
Norte,
um filme que
contou com os
apoios do IPJ e
dum organismo de
apoio à
imigração.
Prosseguiremos
mais à frente, o
nosso olhar
sobre os filmes
na competição
destes
Olhares Frontais.
(a continuar)