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1953/2009

domingo

mai.10

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva,  Isabel Santos e Falco Fernandes

IX Encontros de Viana

- Cinema e Vídeo

Viana do Castelo - 4 a 10 de Maio

 

 

Competição

Primeiro Olhar -

Olhares Frontais 02

 

Detalhe do Cine-Teatro Sá de Miranda

(continuação)

Continuando a passagem em revista dos filmes em competição pelo prémio Primeiro Olhar, dos Olhares Frontais, seguiu-se, ainda no primeiro programa O LIBERTINO PASSEIA PELAS CALDAS de Thais Guimarães, uma notável evocação de um dos mais provocadores e geniais vultos das letras portuguesas, Luís Pacheco, um exemplo de independência e liberdade que, como é afirmado no filme, tocava as raias da libertinagem.

Um marginal, sistematicamente perseguido por um regime castrador, mas rodeado de um círculo de amigos que o acarinhavam e apoiavam, Pacheco aliava esse seu modo único de ser a uma família numerosa e unida, que era a sua principal base de apoio, num contraste que foi apanágio de toda a sua vida.

Viveu nas Caldas da Rainha muitos anos e aí se registaram as imagens deste trabalho que contou com os testemunhos de diversas figuras próximas dele que o veneravam.

Um trabalho tocante e um contributo para a recuperação duma figura das nossas letras, injustamente ostracizada pelo nosso país.

FAMÍLIA AWAL de Joana Oliveira e Rui Silva é situado na cidade de Viana do Castelo e produzido no âmbito duma acção de formação da associação “ao norte”, um documentário de narrativa muito próxima da reportagem sobre um casal de imigrantes, ele oriundo do Nepal e ela da Tailândia, que se conheceram através da internet, juntaram-se na Alemanha e acabaram por se fixar no nosso país, estabelecendo-se nesta cidade.

Pais de um miúdo com cerca de dois anos, acompanhamos a fase final da segunda gravidez da mulher, até ao nascimento da filha que, curiosamente, sai à mãe, tanto quanto o miúdo sai ao pai.

A evocação da sua caminhada até aqui, a manifestação do prazer que sentem em viver entre nós, especialmente nesta pacata terra “...Lisboa tem mito ruído e é suja...”, diz em dada altura o homem, “...aqui, posso sempre ver o mar...”, confessa a mulher com um sorriso rasgado no rosto redondo e moreno, são a alma deste trabalho que resulta pela empatia criada entre cineastas e actores, neste caso representando-se a si próprios.

Algumas queixas quanto à morosidade e ao mistério da burocracia portuguesa (quem as não tem?...), e, sobretudo, o orgulho naquela criança feliz e na que está para vir, preenchem o filme sobre um casal feliz e integrado, que mantém intactas as ligações à família e ao país natal, mas não fala em regressar.

Feito por alunos do Curso de Iniciação ao Documentarismo – Oficina de Vídeo Digital da Ao Norte, um filme que contou com os apoios do IPJ e dum organismo de apoio à imigração.

Prosseguiremos mais à frente, o nosso olhar sobre os filmes na competição destes Olhares Frontais.

(a continuar)

Falco Fernandes

(Grande Écran 571 de 14 de Maio)

 

 

 

 

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