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1952/2009

domingo

mai.10

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva,  Isabel Santos e Falco Fernandes

IX Encontros de Viana

- Cinema e Vídeo

Viana do Castelo - 4 a 10 de Maio

 

 

Competição

Primeiro Olhar -

Olhares Frontais 01

 

Apresentação do Júri oficial

A abertura dos Olhares Frontais, ao fim da tarde de sexta-feira dia 8, contou com a presença do director dos Encontros de Viana – Cinema e Vídeo, Carlos Eduardo Viana, e do programador Pedro Sena Nunes, que após breve apresentação, deram sinal de partida à primeira sessão competitiva, que integrou 6 filmes.

ACESSO RESERVADO de Gustavo Ribeiro e Pedro Lemos, é da autoria de 2 alunos do Curso de Som e Imagem da Universidade Católica Portuguesa, um documento subterrâneo, filmado no intestino duma grande superfície comercial que percorre as alegrias e tristezas, os sonhos e as desilusões, os projectos e o conformismo de 3 homens e 1 mulher, trabalhadores invisíveis, que lutam dia a dia pela sobrevivência e alimentam o desejo de um futuro melhor para os filhos.

Um responsável pela segurança, um identificador de avarias, um transportador e separador de lixo e uma empregada de limpeza falam, olhos nos olhos com a câmara/espectador sobre os que os levou até ali, passam em revista os objectivos profissionais da juventude e apontam o futuro, referindo-se aos filhos, para quem querem o melhor, como todos nós.

Sem grandes floreados, dum profundo espírito humanista, a surpreender, quando vindo de mãos jovens e supostamente inexperientes quanto à dureza da vida nos nossos dias.

ENTREGA de João Coimbra de Oliveira, aborda um dia na vida de um homem que distribui pão casa a casa, deslocando-se numa bicicleta através das ruas de uma grande cidade.

Ainda mais simples do que o anterior, contado sem uma única palavra o que o aproxima da “pureza de olhar original do cinema dos irmãos Lumière”, como referia Jonas Mekas em 1995, na Figueira da Foz, por vezes ostentando imagens de grande beleza estética, na descrição ao ritmo certo de um quotidiano sempre igual que o homem cumpre com um rigor e um profissionalismo notáveis.

Terminada a jornada e já de regresso a casa, depois do genérico final, o nosso herói olha enfim o espectador e remata com a sentença lapidar “...e assim é a vida de um padeiro há 50 anos”.

Notável, este filme da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

MEMÓRIAS DO BAIRRO DA CUF de Isabel Teixeira e Rui Durão, dois alunos da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, revela uma profunda investigação, evocando a vida de um dos centros mais activos da indústria portuguesa, a Companhia União Fabril, através da revisitação do bairro de operários, o original construído em 1908 e o segundo já na década de vinte, num olhar lançado sobre ruas e casas desertas, ruínas de fábricas e armazéns, placas como a singela “Rua do Ácido Sulfúrico”!

A memória do passado torna-se viva, pela voz de uma velha senhora que sempre viveu no bairro e em dada a altura, à guisa de resumo, sublinha “...nascia-se, crescia-se, vivia-se e morria-se, sem sair do Bairro da CUF. Gostava mais desses tempos.

De inestimável valor documental, apenas se lamenta os travellings ”aos saltinhos”, fruto de um software ou hardware insuficientes, e a não utilização de tripé, especialmente incomodativa em planos que deveriam ser supostamente fixos.

(a continuar)

Isabel Santos

(Grande Écran 571 de 14 de Maio)

 

 

 

 

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