A abertura dos
Olhares Frontais,
ao fim da tarde
de sexta-feira
dia 8, contou
com a presença
do director dos
Encontros de
Viana – Cinema e
Vídeo,
Carlos Eduardo
Viana,
e do programador
Pedro Sena Nunes,
que após breve
apresentação,
deram sinal de
partida à
primeira sessão
competitiva, que
integrou 6
filmes.
ACESSO RESERVADO
de
Gustavo Ribeiro
e
Pedro Lemos,
é da autoria de
2 alunos do
Curso de Som e
Imagem da
Universidade
Católica
Portuguesa,
um documento
subterrâneo,
filmado no
intestino duma
grande
superfície
comercial que
percorre as
alegrias e
tristezas, os
sonhos e as
desilusões, os
projectos e o
conformismo de 3
homens e 1
mulher,
trabalhadores
invisíveis, que
lutam dia a dia
pela
sobrevivência e
alimentam o
desejo de um
futuro melhor
para os filhos.
Um responsável
pela segurança,
um identificador
de avarias, um
transportador e
separador de
lixo e uma
empregada de
limpeza falam,
olhos nos olhos
com a
câmara/espectador
sobre os que os
levou até ali,
passam em
revista os
objectivos
profissionais da
juventude e
apontam o
futuro,
referindo-se aos
filhos, para
quem querem o
melhor, como
todos nós.
Sem grandes
floreados, dum
profundo
espírito
humanista, a
surpreender,
quando vindo de
mãos jovens e
supostamente
inexperientes
quanto à dureza
da vida nos
nossos dias.
ENTREGA
de
João Coimbra de
Oliveira,
aborda um dia na
vida de um homem
que distribui
pão casa a casa,
deslocando-se
numa bicicleta
através das ruas
de uma grande
cidade.
Ainda mais
simples do que o
anterior,
contado sem uma
única palavra o
que o aproxima
da “pureza de
olhar original
do cinema dos
irmãos Lumière”,
como referia
Jonas Mekas em
1995, na
Figueira da Foz,
por vezes
ostentando
imagens de
grande beleza
estética, na
descrição ao
ritmo certo de
um quotidiano
sempre igual que
o homem cumpre
com um rigor e
um
profissionalismo
notáveis.
Terminada a
jornada e já de
regresso a casa,
depois do
genérico final,
o nosso herói
olha enfim o
espectador e
remata com a
sentença lapidar
“...e assim é
a vida de um
padeiro há 50
anos”.
Notável, este
filme da
Faculdade de
Ciências Sociais
e Humanas da
Universidade
Nova de Lisboa.
MEMÓRIAS DO
BAIRRO DA CUF
de
Isabel Teixeira
e
Rui Durão,
dois alunos da
Escola Superior
de Artes e
Design das
Caldas da Rainha,
revela uma
profunda
investigação,
evocando a vida
de um dos
centros mais
activos da
indústria
portuguesa, a
Companhia União
Fabril, através
da revisitação
do bairro de
operários, o
original
construído em
1908 e o segundo
já na década de
vinte, num olhar
lançado sobre
ruas e casas
desertas, ruínas
de fábricas e
armazéns, placas
como a singela
“Rua do Ácido
Sulfúrico”!
A memória do
passado torna-se
viva, pela voz
de uma velha
senhora que
sempre viveu no
bairro e em dada
a altura, à
guisa de resumo,
sublinha “...nascia-se,
crescia-se,
vivia-se e
morria-se, sem
sair do Bairro
da CUF. Gostava
mais desses
tempos.”
De inestimável
valor
documental,
apenas se
lamenta os
travellings
”aos saltinhos”,
fruto de um
software ou
hardware
insuficientes, e
a não utilização
de tripé,
especialmente
incomodativa em
planos que
deveriam ser
supostamente
fixos.
(a continuar)