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Decorre já em marcha de
cruzeiro a grande maratona que, ano após
ano, tem trazido o melhor e o pior do cinema
português a Coimbra, num evento único que
constitui a maior montra da nossa produção
anual.
Este ano, os “Caminhos”
alargaram a sua abrangência aos videoclips,
uma área bastante jovem de expressão do
audiovisual, o que terá já levantado algumas
reservas a elementos mais puristas dos
júris, mas representa a integração dum
fenómeno em desenvolvimento, em corrida
acelerada rumo a uma maturidade que já se
vislumbra, num tempo em que nomes como
Spielberg, Spike Lee, Martin Scorsese e
tantos outros, por exemplo Oliveira, já o
elevaram à categoria de arte.
Das curtas exibidas,
muitas haveria a destacar, pelas mais
diversas razões, quanto mais não seja pelas
qualidades inerentes à frescura e ao
espírito de descoberta prevalecentes em
grande parte dos seus autores, na sua
maioria jovens.
A única longa exibida no
primeiro dia, foi
A Ilha dos Escravos, de
Francisco Manso, com Diogo Infante, Vanessa
Giocomo, Milton Gonçalves, Vítor Norte e
Zezé Mota, entre outros nomes de um elenco
que protagonizou um drama de amor e morte
que marcou a história de Cabo Verde.
No domingo, segundo dia
dos “Caminhos” continuaram a desfilar as
curtas no ecrã do Teatro Académico de Gil
Vicente, com destaque muito especial para
Lisbon Calling, de Anna da Palma, uma
encomenda do canal cultural franco-alemão
Arté a dez jovens realizadores, tendo-lhe
cabido a década de oitenta, que abordou num
trabalho de seis minutos, filmado com um
telemóvel e que dedicou aos Xutos &
Pontapés.
As duas longas exibidas
foram o multi premiado
Aquele Querido Mês de Agosto, de
Miguel Gomes, e
Second Life de Alexandre
Cebrian Valente e Miguel Gaudêncio, na
sessão das 22 horas.
Esta segunda-feira e
terceira jornada do festival propõe-nos,
entre outros filmes, o mais recente de
Raquel Freire,
Veneno Cura, de Raquel
Freire, o regresso a Coimbra de uma
estudante de Direito que nasceu para o
cinema na “cidade do cinema” com Rasganço,
passado precisamente no meio académico
conimbricense.
Para amanhã, terça-feira,
destaque especial para a longa-metragem
Contrato, estreia na realização de
Nicolau Breyner, com o próprio realizador,
Pedro Lima e Cláudia Vieira, entre outros.
Falco Fernandes
(Plano de Abertura do
Grande Écran
568 de 23 de Abril) |