|
O
documentário ficcionado do realizador Miguel Gomes
que conta já com inúmeros prémios nacionais e
internacionais, leva-nos numa fascinante viagem ao
coração do nosso país, uma descoberta que só a
frescura de olhar da jovem geração consegue ter e
restituir-nos.
Agosto, mês por excelência escolhido pelos
portugueses para passarem férias é também o mês do
êxodo das cidades não só para as praias mas de
muitos para as suas terras.
Este
regresso de muitos a “casa” é como que o retorno à
infância, à herança legada aos filhos, o gosto pela
vida simples e despretensiosa retomada durante
aqueles 30 escassos dias do ano.
Na
zona de Arganil, como podaria ser noutra qualquer,
reúnem-se as famílias, fazem-se patuscadas,
contam-se histórias, vai-se à pesca, lançam-se
foguetes, nada-se no rio, passeia-se a pé fazem-se
amizades descobrem-se segredos, sucedem-se as festas
de aldeia e, no fim, regressa-se à cidade, com
saudade do próximo mês de Agosto.
O
realizador parte duma festa popular à santa
padroeira, com procissão, andores e banda, passa
pelos bailes, desgarradas e jogos de grupo como a
malha, até aos grupos contratados para abrilhantarem
as festas à noite.
Não
ao acaso, mas indo de Tony Carreira a Armando Gama,
Miguel Gomes traz-nos neste filme o que mais de
tradicional, popular e genuíno há em nós
portugueses, não deixando ninguém indiferente.
Devolve-nos a saudade, deixa-nos a pensar na
infância e juventude já passada, em como é bom
voltarmos cada ano à “terra”, rever amigos
emigrados, ouvir histórias, dançar no terreiro,
mergulhar no rio e ao fim de 30 dias, ao cair do
pano, entrar no sonho que nos irá alimentar a alma
até ao próximo Agosto.
Para
AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO,
de
Miguel Gomes,
5
ecrãs, filme decididamente a não perder.
Isabel Santps
(Grande Écran
568 de 23 de Abril)
N.R.: O realizador Miguel Gomes
concedeu-nos uma entrevista a difundir no
Grande Écran 570, de 7 de Maio, e neste
site. |