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1959,
pede-se aos alunos da Escola Primária William Dawes,
sugestões para assinalar a inauguração na nova
escola, ganhando Lucinda Embry com a sugestão da
cada um fazer um desenho que represente o futuro a
meio de século de vista e que será enterrado numa
cápsula do tempo, a reabrir na celebração do
cinquentenário da escola.
Cada
um faz o que lhe é pedido, mas há uma aluna que
enche a folha de papel de uma sucessão de
algarismos, aparentemente incoerente, causando a
perplexidade da professora, especialmente por se
tratar da autora da ideia, Lucinda.
2009,
o viúvo e astrofísico John Koestler, vive sozinho
com o filho Caleb, um miúdo obcecado pela ciência, e
dá aulas apaixonantes no MIT, Massachussets
Institute of Tecnology, que desembocam, por vezes,
em becos como o conflito determinismo / casualidade,
finda uma das quais se apressa a comparecer à
cerimónia da abertura cápsula enterrada 50 anos
antes.
Em
casa, descobre que o filho trouxera da escola o
envelope com a mensagem que lhe coubera,
precisamente a misteriosa sucessão de algarismos de
Lucinda Embry e que Caleb acredita poder esconder um
código, mantendo-se o pai intransigente na devolução
da folha à escola a que pertence.
Mas
pouco depois, já com filho a dormir, as coisas
assumem um rumo inesperado, enquanto Koestler bebe
wiskhy, copo após copo, como faz regularmente noite
após noite, a mensagem começa a desvendar-lhe o seu
assustador significado que, partilhado com o seu
colega Phil, é explicado por este como mera
casualidade.
Muito
em breve, as certezas dos dois cientistas serão
postas em causa por acontecimentos que se seguem e
contrariam de modo aparentemente claro a teoria que
ambos partilhavam e defendiam.
Situando-se muito para além do cinema sobre
fenómenos paranormais, este intenso e inteligente
thriller de
Proyas,
especialista na matéria, situa-se nos terrenos
nobres da ficção científica, como se vê raramente
nos dias de hoje, de descrença e desencanto.
Porque é imprescindível a capacidade de sonhar para
“embarcar” numa ficção científica bem engendrada e o
cinema também ajudou à acentuada perda dessa
capacidade, para além dos filmes românticos,
privilegiando os de mais notória insipiência.
O
realizador que se estreou com a curta
NEON
de 1980 e já assinou filmes como
O
CORVO
de 1994 e
CIDADE
MISTERIOSA
de 1998, dirige com este o seu 15º trabalho.
Trabalhando um argumento cuidadosamente elaborado
por uma equipa em que participou o próprio autor da
história, transportando-o para um filme bem
construído, equilibrado com os ingredientes
necessários e resistindo ao seu uso excessivo, o
realizador conseguiu um trabalho duma sobriedade
notável, dentro do género, a merecer o olhar atento
do espectador e uma séria reflexão sobre o alerta
que transmite quanto ao futuro do planeta e da
espécie humana.
Para
SINAIS DO FUTURO,
de
Alex Proyas,
com
Nicolas Cage,
bem apoiado num elenco de qualidade,
3
ecrãs, filme com interesse.
Isabel Santos
(Grande Écran
567 de 16 de Abril) |