news

1924/2009

quinta

abr.16

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva,  Isabel Santos e Falco Fernandes

  

3 écrans

 

 

 

SINAIS

DO FUTURO

de Alex Proyas

 

 

O velho debate sobre "casualidade

vs. determinismo" regressa à estaca zero

1959, pede-se aos alunos da Escola Primária William Dawes, sugestões para assinalar a inauguração na nova escola, ganhando Lucinda Embry com a sugestão da cada um fazer um desenho que represente o futuro a meio de século de vista e que será enterrado numa cápsula do tempo, a reabrir na celebração do cinquentenário da escola.

Cada um faz o que lhe é pedido, mas há uma aluna que enche a folha de papel de uma sucessão de algarismos, aparentemente incoerente, causando a perplexidade da professora, especialmente por se tratar da autora da ideia, Lucinda.

2009, o viúvo e astrofísico John Koestler, vive sozinho com o filho Caleb, um miúdo obcecado pela ciência, e dá aulas apaixonantes no MIT, Massachussets Institute of Tecnology, que desembocam, por vezes, em becos como o conflito determinismo / casualidade, finda uma das quais se apressa a comparecer à cerimónia da abertura cápsula enterrada 50 anos antes.

Em casa, descobre que o filho trouxera da escola o envelope com a mensagem que lhe coubera, precisamente a misteriosa sucessão de algarismos de Lucinda Embry e que Caleb acredita poder esconder um código, mantendo-se o pai intransigente na devolução da folha à escola a que pertence.

Mas pouco depois, já com filho a dormir, as coisas assumem um rumo inesperado, enquanto Koestler bebe wiskhy, copo após copo, como faz regularmente noite após noite, a mensagem começa a desvendar-lhe o seu assustador significado que, partilhado com o seu colega Phil, é explicado por este como mera casualidade.

Muito em breve, as certezas dos dois cientistas serão postas em causa por acontecimentos que se seguem e contrariam de modo aparentemente claro a teoria que ambos partilhavam e defendiam.

Situando-se muito para além do cinema sobre fenómenos paranormais, este intenso e inteligente thriller de Proyas, especialista na matéria, situa-se nos terrenos nobres da ficção científica, como se vê raramente nos dias de hoje, de descrença e desencanto.

Porque é imprescindível a capacidade de sonhar para “embarcar” numa ficção científica bem engendrada e o cinema também ajudou à acentuada perda dessa capacidade, para além dos filmes românticos, privilegiando os de mais notória insipiência.

O realizador que se estreou com a curta NEON de 1980 e já assinou filmes como O CORVO de 1994 e CIDADE MISTERIOSA de 1998, dirige com este o seu 15º trabalho.

Trabalhando um argumento cuidadosamente elaborado por uma equipa em que participou o próprio autor da história, transportando-o para um filme bem construído, equilibrado com os ingredientes necessários e resistindo ao seu uso excessivo, o realizador conseguiu um trabalho duma sobriedade notável, dentro do género, a merecer o olhar atento do espectador e uma séria reflexão sobre o alerta que transmite quanto ao futuro do planeta e da espécie humana.

Para SINAIS DO FUTURO, de Alex Proyas, com Nicolas Cage, bem apoiado num elenco de qualidade, 3 ecrãs, filme com interesse.

Isabel Santos

(Grande Écran 567 de 16 de Abril)

 

 

 

 

BACK | EMAIL | HOME