Talvez o primeiro sinal de efectiva mudança na
apresentação dos Oscars ao mundo, tenha surgido
com a recusa de
Peter Gabriel
em interpretar o seu tema limitado no tempo a 65
segundos, coisa intolerável para uma prima-dona
como ele, não aceitando a imposição da Academia
de Hollywood em optimizar a fluir dum programa
cuja audiência tem vindo a decair e cujo
resultado desta nova estratégia saberemos nos
próximos dias.
Já houvera um indício com a substituição do
apresentador, por
Hugh Jackman,
actor e entertainer australiano, que revelou
saber cantar, dizer piadas e conferir ao
programa uma dignidade que se vinha a perder,
mostrando a diferença muito clara entre o cinema
nascido há mais de um século e a televisão que
conta metade desta idade.
A cerimónia começou, desde logo, com novidades,
atribuindo prémios grandes entre os primeiros da
noite e a uma retrospectiva de actrizes
secundárias galardoadas, a estatueta deste ano
foi direitinha para a grande favorita, a
protagonista de Elena de
VICKY CRISTINA BARCELONA,
de
Woody Allen,
Penélope Cruz
que não perdeu a oportunidade de agradecer a
Pedro Almodóvar
que a meteu nestas andanças e dirigir umas
palavras em espanhol ao povo seu país natal.
Seguiram-se os argumentos, com o Óscar de melhor
original para
MILK
e de melhor adaptado para
QUEM QUER SER BILIONÁRIO
que começou aqui a sua escalada, rumo a mais uma
noite gloriosa.
No que toca às animações, foram distinguidas
WALL-E,
de
Andrew Stanton,
na categoria de longa-metragem, e
LA MAISON EN PETITS CUBES,
de
Kunio Katô,
distinguido no Cinanima.
A sucessão seguinte foi para categorias
técnicas, como a direcção artística e o
cabeleireiro que couberam a
O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON
e o guarda-roupa que foi para
A DUQUESA.
Depois de uma peça plena de humor sobre os
filmes de 2008, retomaram-se os prémios de
primeira grandeza, com a entrega do Óscar de
melhor fotografia a
QUEM QUER SER BILIONÁRIO,
seguindo-se uma montagem com imagens de efeitos
especiais que a TVI, com a sua proverbial
habilidade fez a fineza de interromper para mais
um cheirinho de publicidade, como se não
bastassem os habituais apresentadores
multiplicando-se em vacuidades e falando em cima
de laureados e apresentadores.
A novo sketch, desta vez uma divertida passagem
em revista dos filmes de 2008, seguiram-se as
entregas dos Oscars de melhor actor secundário a
Heath Ledger,
de documentário de longa-metragem a
HOMEM NO ARAME
de
James Marsh
e de curta-metragem a
SMILE PINK
de
Megan Mylan.
Após uma retrospectiva de filmes de acção, foi
entregue o prémio de efeitos especiais a
O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON
que assim encerrava as chamadas ao palco,
quedando-se por 3 dos 13 Oscars para que fora
nomeado.
Pelo contrário,
QUEM QUER SER BILIONÁRIO,
continuou a averbar prémios, logo a seguir com a
mistura sonora e a montagem, cabendo o de
montagem sonora a
THE DARK KNIGHT – O CAVALEIRO DAS TREVAS.
Já na recta final, o espectáculo prosseguiu com
um medley de bandas sonoras e as entregas das
estatuetas de melhor banda sonora original a
QUEM QUER SER MILIONÁRIO
e de melhor canção a
Jai-HO,
do mesmo filme.
À entrega do galardão a melhor filme em língua
estrangeira que coube a
DEPARTURES,
de
Yojiro Takita,
sucedeu a tradicional evocação dos desaparecidos
em 2008 e chegou-se enfim aos quatro derradeiros
e mais importantes galardões da edição.
O melhor realizador foi
Danny Boyle,
a melhor actriz principal foi
Kate Winslet,
por
O LEITOR,
que agradeceu com uma intervenção bastante
emocionada, como é seu timbre, e o melhor actor
principal foi
Sean Penn,
por
MILK,
que produziu a intervenção mais política da
noite.
Restava o melhor filme, cujo Oscar foi entregue
ao grande favorito
QUEM QUER SER BILIONÁRIO
que reuniu no palco a maior delegação e fez a
grande festa desta edição, para além de levar
para casa 7 dos 10 Oscars para que estava
nomeado.