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1827/2009

segunda

fev.6

Redacção: António Sousa, Nuno Pedro, Raquel Silva,  Isabel Santos e Falco Fernandes

FAIA - Festival de Atibaia Internacional

do Audiovisual - 20 a 25 de Janeiro

 

Festivais de

Cinema no

Brasil: Abertura

em Grande

 

Estivemos presentes no  FAIA – Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual – que teve lugar na cidade de Estância de Atibaia (São Paulo – Brasil) entre os dias 20 a 25 de Janeiro.

Festival parceiro do FIKE – Festival Internacional de Curtas-Metragens de Évora, o FAIA caracteriza-se mais por uma interessante e densa movimentação política em torno do audiovisual e do cinema brasileiro do que pelas normais actividades que encontramos nos Festivais de cinema pelo mundo.

De facto, não esquecendo uma selecção interessante de curtas-metragens, mostras paralelas, workshops e actividades de divulgação, os seminários e encontros são o ponto forte do Festival. 

O FAIA completou a sua 4ª edição sob o signo da consolidação e reconhecimento dos Festivais e Autoridades.

Pelo quarto ano consecutivo o FAIA marca a abertura do ano cinematográfico brasileiro, com tempo quente e chuva q.b. que quase forma uma aliança com o Festival para manter os participantes encerrados nas salas onde decorrem os diferentes seminários e reuniões e, mais para a tarde e noite, as sessões de cinema.

Registou-se, mais uma vez, uma enorme afluência das mais variadas personalidades ligadas ao cinema e audiovisual com as reuniões do 4º Encontro Ibero Americano de Cineclubes, Congresso Brasileiro de Cinema, das ABD nacional  – Associações Brasileiras de Documentaristas, e do Conselho Nacional de Cineclubes.

O 4º Encontro Ibero Americano de Cineclubes incluiu um conjunto de discussões sobre Cineclubismo Global, Campanha Pelos Direitos do Público, Cineclubismo e Educação, Memória, Identidade e Diversidade Cultural (de que daremos conta em próximo texto).

A Assembleia do CBC – Congresso do Cinema Brasileiro, que reúne 54 entidades do audiovisual, aprovou as alterações estatutárias e elegeu a sua nova Direcção e representantes no Conselho Superior de Cinema, órgão de consulta da Presidência da República do Brasil

Marcaram a presença no Festival, além dos participantes nas diversas reuniões e de realizadores com obras a concurso, um conjunto de personalidades da política e do panorama cultural brasileiro: do MINC (Ministério da Cultura do Brasil) estiveram presentes o Secretário do Audiovisual, Sílvio Da-Rin e o Secretário de Políticas Culturais, Marcos Souza, participantes no Seminário "Cineclubismo: Memória, Educação, Identidade e Diversidade Cultural"

No dia 24 de Janeiro, o Secretário do Audiovisual Sílvio Da-Rin apresentou em diversas reuniões várias iniciativas deste departamento do Ministério da Cultura:

 

- Lançamento de concursos da Secretaria do Audiovisual para 2009.

- Apresentação dos novos elementos da equipe da Secretaria do Audiovisual.

- Assinatura de protocolos de parceria e convénios com o CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros e com a ABD Nacional.
- Assinatura dos termos de convénio entre o MINC (Mais Cultura), SAV, Circuito Brasil, que destinarão kits do programa de Pontos de Exibição Audiovisual para cineclubes filiados ao CNC. Um importante esforço do Governo Federal para dotar os cineclubes de equipamento de exibição e formação em todos os estados do Brasil.

 

Exemplar esta forte ligação entre a SAV do Ministério da Cultura e os diferentes agentes presentes no Festival. É talvez um dos melhores exemplos que nos foi dado a perceber da proximidade existente entre a administração política e o sector que tutela e que, apesar da burocracia que - ao que parece o Brasil conseguiu absorver das suas raízes lusas e até mesmo “aperfeiçoar” – se vê efectivamente funcionar e contribuir para uma dinâmica que tem por base a relação com o cidadão.

Neste particular, é significativa a acção de projectos como a Programadora Brasil e o Circuito Brasil, o programa Mais Cultura e o apoio efectivo a estruturas de base social e associativa como as ABD e os Cineclubes.

O Orçamento da União reserva para a Cultura 0,7% do PIB (que prevê neste ano de crise um crescimento de 3,65 a 4,5%) mas complementado por uma Lei de Incentivo Cultural (Mecenato) e os investimentos estaduais e locais que permitem o desenvolvimento sustentado de projectos emergentes da sociedade civil.

A mostra competitiva do Festival consistiu numa selecção de curtas-metragens premiadas em festivais de cinema brasileiros do ano anterior, de que haverá possibilidade de ver uma mostra no FIKE 2009.

Assim, o FAIA 2009 apresentou em competição 30 curtas representando os diferentes estados de São Paulo (com 9 filmes), Pernambuco (5 filmes), Rio de Janeiro (2), Goiás (2), Rio Grande do Sul (2), Ceará (2), Espírito Santo (2), Minas Gerais, Paraíba, Bahia, Amazonas (1 de cada), mais o Distrito Federal - Brasília (com 2 filmes).

As sessões de abertura e encerramento do Festival foram marcadas ainda por emocionantes e emocionadas apresentações dos resultados de projectos desenvolvidos ao longo do ano pela Difusão Cultural: Música e Cidadania: na abertura, apresentação de uma orquestra de percussão e no encerramento de uma “big band”  formada por jovens provenientes dos meios mais desfavorecidos de Atibaia. Projectos de integração social dos jovens das favelas através das Artes: Música, Audiovisual, Teatro e Dança. 

Na tarde de cada um dos dias do Festival decorreram as mostras dos Festivais parceiros, Mostra Contis de Cinema Europeu (França), Mostra FIKE - Festival  Internacional de Curtas-Metragens de Évora (Portugal) e Mostra PAFF de Cinema Afro-Americano (EUA). Foi para nós gratificante verificar o excelente acolhimento da mostra de curtas-metragens portuguesas por nós apresentadas e que motivou um pedido da parte da organização para a programação futura de mais sessões de cinema português a ser apresentadas em Atibaia e noutras cidades do Estado de São Paulo.

Em jeito de balanço, dá-se por muito positiva a participação no FAIA. Um festival que a pouco e pouco se vai afirmando no panorama brasileiro (onde existem perto de 200 manifestações audiovisuais nos diferentes estados). Consolidado como ponto de encontro dos agentes do Cinema, o FAIA é para o público que a cada noite enchia a sala do Cinema Atibaia um evento aliciante pela grande diversidade de propostas e manifestações apresentadas.

Para nós tem a aliciante de permitir, no espaço de um Festival, contactar com a realidade de um país-continente e estabelecer contactos com as mais diversas personalidades. Perceptível, no espaço informal do bar do hotel ou do “boteco” mais próximo o nascer de projectos e colaborações que mais não são do que sinais da dinâmica do audiovisual e do cinema brasileiro que, mesmo à distância, conseguimos perceber.

 

João Paulo Macedo

 

 

 

 

 

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