|
Estivemos presentes
no
FAIA – Festival de Atibaia Internacional do
Audiovisual – que teve lugar na cidade de Estância
de Atibaia (São Paulo – Brasil) entre os dias 20 a
25 de Janeiro.
Festival parceiro
do FIKE – Festival Internacional de Curtas-Metragens
de Évora, o FAIA caracteriza-se mais por uma
interessante e densa movimentação política em torno
do audiovisual e do cinema brasileiro do que pelas
normais actividades que encontramos nos Festivais de
cinema pelo mundo.
De facto, não
esquecendo uma selecção interessante de
curtas-metragens, mostras paralelas, workshops e
actividades de divulgação, os seminários e encontros
são o ponto forte do Festival.
O FAIA completou a
sua 4ª edição sob o signo da consolidação e
reconhecimento dos Festivais e Autoridades.
Pelo quarto ano
consecutivo o FAIA marca a abertura do ano
cinematográfico brasileiro, com tempo quente e chuva
q.b. que quase forma uma aliança com o Festival para
manter os participantes encerrados nas salas onde
decorrem os diferentes seminários e reuniões e, mais
para a tarde e noite, as sessões de cinema.
Registou-se, mais
uma vez, uma enorme afluência das mais variadas
personalidades ligadas ao cinema e audiovisual com
as reuniões do 4º Encontro Ibero Americano de
Cineclubes, Congresso Brasileiro de Cinema, das ABD
nacional – Associações Brasileiras de
Documentaristas, e do Conselho Nacional de
Cineclubes.
O 4º Encontro Ibero
Americano de Cineclubes incluiu um conjunto de
discussões sobre Cineclubismo Global, Campanha Pelos
Direitos do Público, Cineclubismo e Educação,
Memória, Identidade e Diversidade Cultural (de que
daremos conta em próximo texto).
A Assembleia do CBC
– Congresso do Cinema Brasileiro, que reúne 54
entidades do audiovisual, aprovou as alterações
estatutárias e elegeu a sua nova Direcção e
representantes no Conselho Superior de Cinema, órgão
de consulta da Presidência da República do Brasil
Marcaram a presença
no Festival, além dos participantes nas diversas
reuniões e de realizadores com obras a concurso, um
conjunto de personalidades da política e do panorama
cultural brasileiro: do MINC (Ministério da Cultura
do Brasil) estiveram presentes o Secretário do
Audiovisual, Sílvio Da-Rin e o Secretário de
Políticas Culturais, Marcos Souza, participantes no
Seminário "Cineclubismo: Memória, Educação,
Identidade e Diversidade Cultural"
No dia 24 de
Janeiro, o Secretário do Audiovisual Sílvio Da-Rin
apresentou em diversas reuniões várias iniciativas
deste departamento do Ministério da Cultura:
- Lançamento de
concursos da Secretaria do Audiovisual para 2009.
- Apresentação dos
novos elementos da equipe da Secretaria do
Audiovisual.
- Assinatura de
protocolos de parceria e convénios com o CNC -
Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros e com a
ABD Nacional.
- Assinatura dos termos de convénio entre o MINC
(Mais Cultura), SAV, Circuito Brasil, que destinarão
kits do programa de Pontos de Exibição Audiovisual
para cineclubes filiados ao CNC. Um importante
esforço do Governo Federal para dotar os cineclubes
de equipamento de exibição e formação em todos os
estados do Brasil.
Exemplar esta forte
ligação entre a SAV do Ministério da Cultura e os
diferentes agentes presentes no Festival. É talvez
um dos melhores exemplos que nos foi dado a perceber
da proximidade existente entre a administração
política e o sector que tutela e que, apesar da
burocracia que - ao que parece o Brasil conseguiu
absorver das suas raízes lusas e até mesmo
“aperfeiçoar” – se vê efectivamente funcionar e
contribuir para uma dinâmica que tem por base a
relação com o cidadão.
Neste particular, é
significativa a acção de projectos como a
Programadora Brasil e o Circuito Brasil, o programa
Mais Cultura e o apoio efectivo a estruturas de base
social e associativa como as ABD e os Cineclubes.
O Orçamento da
União reserva para a Cultura 0,7% do PIB (que prevê
neste ano de crise um crescimento de 3,65 a 4,5%)
mas complementado por uma Lei de Incentivo Cultural
(Mecenato) e os investimentos estaduais e locais que
permitem o desenvolvimento sustentado de projectos
emergentes da sociedade civil.
A mostra
competitiva do Festival consistiu numa selecção de
curtas-metragens premiadas em festivais de cinema
brasileiros do ano anterior, de que haverá
possibilidade de ver uma mostra no FIKE 2009.
Assim, o FAIA 2009
apresentou em competição 30 curtas representando os
diferentes estados de São Paulo (com 9 filmes),
Pernambuco (5 filmes), Rio de Janeiro (2), Goiás
(2), Rio Grande do Sul (2), Ceará (2), Espírito
Santo (2), Minas Gerais, Paraíba, Bahia, Amazonas (1
de cada), mais o Distrito Federal - Brasília (com 2
filmes).
As sessões de
abertura e encerramento do Festival foram marcadas
ainda por emocionantes e emocionadas apresentações
dos resultados de projectos desenvolvidos ao longo
do ano pela Difusão Cultural: Música e Cidadania: na
abertura, apresentação de uma orquestra de percussão
e no encerramento de uma “big band” formada por
jovens provenientes dos meios mais desfavorecidos de
Atibaia. Projectos de integração social dos jovens
das favelas através das Artes: Música, Audiovisual,
Teatro e Dança.
Na tarde de cada um
dos dias do Festival decorreram as mostras dos
Festivais parceiros, Mostra Contis de Cinema Europeu
(França), Mostra FIKE - Festival Internacional de
Curtas-Metragens de Évora (Portugal) e Mostra PAFF
de Cinema Afro-Americano (EUA). Foi para nós
gratificante verificar o excelente acolhimento da
mostra de curtas-metragens portuguesas por nós
apresentadas e que motivou um pedido da parte da
organização para a programação futura de mais
sessões de cinema português a ser apresentadas em
Atibaia e noutras cidades do Estado de São Paulo.
Em jeito de balanço, dá-se por muito positiva a
participação no FAIA. Um festival que a pouco e
pouco se vai afirmando no panorama brasileiro (onde
existem perto de 200 manifestações audiovisuais nos
diferentes estados). Consolidado como ponto de
encontro dos agentes do Cinema, o FAIA é para o
público que a cada noite enchia a sala do Cinema Atibaia um evento aliciante pela grande diversidade
de propostas e manifestações apresentadas.
Para
nós tem a aliciante de permitir, no espaço de um
Festival, contactar com a realidade de um
país-continente e estabelecer contactos com as mais
diversas personalidades. Perceptível, no espaço
informal do bar do hotel ou do “boteco” mais próximo
o nascer de projectos e colaborações que mais não
são do que sinais da dinâmica do audiovisual e do
cinema brasileiro que, mesmo à distância,
conseguimos perceber.
João Paulo
Macedo
|