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O actor
Paul
Newman, figura lendária de Hollywood que morreu
hoje com 83 anos, será tão recordado pelos seus
olhos azuis, porventura os mais famosos do cinema
norte-americano, como pela sua brilhante carreira.
Eterno aspirante a
Óscares, obteve três, dois honorários e um pelo seu
desempenho no filme
A COR DO DINHEIRO,
com 61 anos e já com uma longa carreira atrás de si,
após sete nomeações por
GATA EM TELHADO DE
ZINCO QUENTE (1958),
A VIDA É UM JOGO
(1961),
HUD – O MAIS SELVAGEM ENTRE MIL
(1963),
O PRESIDIÁRIO (1967),
RAQUEL, RAQUEL (1968),
AUSÊNCIA DE
MALÍCIA (1981) e
O VEREDICTO
(1982).
"É como cortejar
uma mulher durante 80 anos", disse o actor ao
receber o prémio, a que se seguiram outras duas
nomeações, por
VIDAS SIMPLES (1994) e
CAMINHO PARA PERDIÇÃO (2002), a sua
despedida do cinema pela porta grande, num supremo
duelo interpretativo com
Tom Hanks.
Nascido a 26 de
Janeiro de 1925 em Shaker Heights (Ohio), o jovem
Newman, depois de prestar serviço militar na Marinha
durante a Segunda Guerra Mundial, como operador de
rádio, lançou-se na carreira de actor após
frequentar o Actor's Studio, em Nova York.
Começou no cinema
com o filme
O CÁLICE DE PRATA (1954),
uma película tão má que quando se estreou na
televisão, Newman publicou um anúncio nos jornais
com um pedido de desculpas.
Foi a sua
interpretação do papel do pugilista Rocky
Graziano, inicialmente destinado a
James Dean,
no filme
MARCADO PELO ÓDIO (1956),
realizado por
Robert Wise, que chamou a
atenção da crítica e dos produtores que viram nela a
próxima estrela de Holywood.
A confirmação
surgiria dois anos mais tarde, com
GATA EM
TELHADO DE ZINCO QUENTE, uma adaptação
suavizada de um texto de
Tennessee Williams,
em que fez um inesquecível e belíssimo par com
Elizabeth Taylor.
Dirigiu
RAQUEL, RAQUEL que recebeu nomeações para
melhor filme e melhor actriz, pelo desempenho da sua
mulher
Joanne
Woodward,
SOMETIMES A
GREAT NOTION (1971) e
O EFEITO DOS
RAIOS GAMA NAS MARGARIDAS DO CAMPO (1972).
Com o avançar da
idade, passou a apostar em participações em filmes
de realizadores consagrados, como
Sidney Pollack,
em
AUSÊNCIA DE MALÍCIA, ou
Sidney
Lumet, em
O VEREDICTO.
Mas a retina
cinéfila reterá como marco indelével sobretudo a sua
participação em
CAMINHO PARA PERDIÇÃO,
no papel de John Rooney, chefe da máfia
irlandesa na Chicago dos anos 30, que se debate
entre a defesa do filho biológico e o seu amor por
Nichael Sullivan, entregue a
Tom Hanks,
órfão que criou e tratou como se fosse seu.
In lusa
(Difundido no
Grande Écran
540 de 2 de Outubro) |