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1653/2008

sexta

set.26

Redacção: Raquel Sofia, António Sousa, Raquel Silva, Ana Rita Madruga,  Isabel Santos e Falco Fernandes

56º Donostia Zinemaldia

Festival de San Sebastián

18/27 de Setembro

 

"Countdown"

para os prémios

 

A actriz Meryl Streep

foi a San Sebastián receber um "Prémio Donostia",

pronunciar-se sobre Obama e distribuir simpatia

(foto de JMB)

 

Hoje foi o último dia ainda com algum filmes para ver. Amanhã, estará toda a gente à espera da divulgação do palmarés desta 56ª edição do Festival de San Sebastián e, para além de alguma conferência de imprensa durante a manhã, haverá ainda que comprar um outro “recuerdo” e começar a fazer as despedidas desta bela cidade basca .

O desfile de filmes concorrentes na secção oficial chegou ao fim com a passagem de DREAMS (Sonhos) do coreano Kim Ki–duk, autor, nos últimos anos, de algumas obras marcantes premiadas em Berlim, Veneza e até San Sebastián. O autor de A ILHA, FERRO 3, PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO E... PRIMAVERA e O ARCO é, reconhecidamente, um cineasta com uma obra muito pessoal, sempre diferente, capaz do melhor o do pior. Com DREAMS poder-se-á dizer, que desta vez, a San Sebastián saiu a fava. O argumento tem à partida, uma certa originalidade: o que um homem sonha  (acidentes de automóvel, relações amorosas ou outros factos), uma jovem mulher vive em estado de sonambulismo. Os sonhos dela, vive-os ele. A solução para evitar os problemas originados por esta estranha situação passa pela tentativa de os dois não dormirem em simultâneo. Fazem-no por turnos ou, em alternativa, amarrados com algemas um ao outro. A  partir daqui, o realizador desenvolve uma trama extremamente confusa, em que o espectador tem dificuldade em distinguir os sonhos da realidade.  DREAMS é, assim, um filme falhado e que gorou algumas expectativas já que Kim Ki–duk era um dos nomes mais sonantes entre os participantes na competição “donostiarra”.

Por ironia, a conferência de imprensa relativa a este filme teve lugar com a presença física dos actores e com Kim Ki–duk, retido em Seul devido a um acidente de automóvel, a participar através de video-conferência.

Depois de uma passagem com a família Caramelo pelo Hotel Maria Cristina, onde nos cruzámos à entrada com Meryl Streep, segui para La Cepa, agora já com gente suficiente para ocupar uma mesa. A filha do Joaquín disse-nos que ele tinha ido caçar para Cáceres, até meados da próxima semana. Já não teremos este ano a calorosa despedida de anos anteriores.

De seguida, uma corrida para o Kursaal, para a conferência de imprensa de Meryl Streep, o segundo Prémio Donostia desta edição do Festival. Meia-hora antes já a sala estava completamente cheia. Irradiando simpatia e disponibilidade, a actriz respondeu a inúmeras perguntas, sobre a sua carreira como actriz, sobre os realizadores com quem trabalhado,  nunca dando mostras de enfado ou de estar a cumprir este número do programa apenas por uma obrigação protocolar. Questionada sobre as próximas eleições americanas, sempre foi  dizendo em tom muito humorado: “Se Obama não ganhar compro um andar em San Sebastián e venho viver para cá....

Depois  deste momento alto do Festival, a minha  última sessão: THE BROTHERS BLOOM do norte-americano Rian Johnson,  filme de encerramento da secção oficial, exibido extra-concurso. No elenco Adrien Body (de O PIANISTA), Rachel Weisz (de O FIEL JARDINEIRO) e Mark Ruffalo (de ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA).  No mundo dos irmãos Bloom, tudo é uma ilusão e uma mentira, nada é o que parece. Especializados, ao longo de muitos anos de trabalho em conjunto, na arte de roubar fortunas  aceitam fazer um último trabalho para encerrar a sua carreira: atrair uma bela e excêntrica herdeira a uma conspiração que os levará à volta do mundo. O realizador que se diz ,influenciado por Terry Gilliam e Fellini, ofereceu-nos um filme com alguns momentos muito bem conseguidos mas globalmente pouco homogéneo, sendo o resultado final algo decepcionante.

Afinal a secção oficial acaba como começou. Com um sentimento de alguma frustração, espelhando a mediania que caracterizou toda a selecção, da qual se destacam apenas três ou quatro títulos: FROZEN RIVER de Courtney Hunt, A CAIXA DE PANDORA de Yesim Ustaoglu, “O aniversário de Laila” de Rashid Masharawi, e acima de todos eles, STILL WALKING de Hirokazu Kore-Eda, o nosso grande favorito para a Concha de Ouro. Mas como os júris de San Sebastián são, tradicionalmente, pródigos em surpresas, não ficaremos muito admirados se os prémios forem para quaisquer outros.

 

De San Sebastián para a FM-Media e o Grande Écran,

José Mário Bastos

(A difundir no Grande Écran 540 de 2 de Outubro)

 

 

 

 

Kim Ki-duk

esteve presente

em San Sebastián,

...por vídeo-conferência

 

Finalmente, com a

chegada de Armando

Caramelo & família,

"los portugueses"

juntaram-se no "La Cepa"

(fotos de JMB)

 

 

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