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A
Cinemateca Portuguesa irá exibir em Lisboa, a
partir de 17 Outubro e até ao final do ano, toda a
obra cinematográfica do realizador
Manoel
de Oliveira, num ciclo integrado nas celebrações
dos cem anos do cineasta.
O ciclo irá chamar-se "2008
- Os cem anos de Manoel de Oliveira" e incluirá
todos os filmes realizados pelo mais velho
realizador de cinema ainda em actividade, disse à
Lusa fonte da Cinemateca.
Da retrospectiva integral farão parte cerca de meia
centena de filmes entre ficção e não-ficção, rodados
ao longo de 77 anos, desde "Douro,
Faina Fluvial", uma curta-metragem documental de
1931 sobre a vida nas margens do rio Douro, até "Cristóvão
Colombo - o Enigma", estreado em Janeiro deste
ano.
"Aniki
Bobó" (1942), primeiro filme de ficção,
considerado hoje uma das suas obras-primas, a
curta-metragem "O
Pintor e a Cidade" (1956), o seu primeiro filme
a cores, e "acto
dE Primavera" (1962), filme pelo qual
Manoel
de Oliveira foi detido pela PIDE, não deverão
faltar nesta retrospectiva.
Haverá ainda a "tetralogia dos amores frustrados",
com "O
Passado e o Presente" (1971), "Benilde
ou a Virgem Mãe" (1975), "Amor
de Perdição" (1978) e "Francisca"
(1981), ou os filmes sobre a identidade portuguesa
como "Non,
ou a Vã Glória de Mandar" (1990) e "Quinto
Império - Ontem como hoje" (2004).
São sete décadas de filmografia que acompanham a
história do cinema - desde os tempos dos filmes mudo
-, e de Portugal, do Estado Novo à democracia.
Os cem anos de
Manoel
de Oliveira, que se assinalam a 11 de Dezembro,
têm sido celebrados em Portugal e no estrangeiro com
várias iniciativas.
Oliveira, que se prepara para rodar um novo filme ("Singularidades
de uma rapariga loura"), recebeu este ano a
Palma de Ouro de Honra no Festival de Cinema de
Cannes, em França, a medalha de ouro de Belas Artes
do governo espanhol, um doutoramento honoris causa
da Universidade do Algarve e foi eleito membro
honorário da Academia de Ciências de Lisboa.
No festival de Veneza, que termina este
fim-de-semana,
Manoel
de Oliveira mostrou a curta-metragem "Do
visível ao invisível", de 2005, e estreou esta
semana nas salas francesas o filme "Cristóvão
Colombo - O enigma".
O
Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no
Porto, tem patente uma
exposição dedicada ao realizador e acolhe em
Outubro um seminário intitulado "Manoel
de Oliveira: O moderno paradoxal".
Também no início de Outubro,
Manoel
de Oliveira deverá rumar à Cidade do México para
ser homenageado no I Congresso da Cultura
Iberoamericana.
Com uma energia invejável para quem está à beira dos
cem anos,
Manoel
de Oliveira disse numa entrevista recente que só
descansa verdadeiramente quando está a realizar um
filme.
(fonte LUSA)
(Difundido no
Grande Écran
538 de 18 de Setembro) |