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Distinguido com 3 Goyas, melhores realizador, filme
e actor revelação, para além de outros 7 prémios, o
quarto filme do catalão
Jaime
Rosales lançado no ano passado, chegou às
nossas salas na passada semana, constituindo mais
uma boa oportunidade de ver o nível atingido pelo
cinema do país vizinho.
Drama em que se vive a experiência de duas mulheres,
Adela e Antonia, cujos únicos pontos em comum são o
da primeira ser inquilina de uma filha da segunda e
cada um viver à sua maneira o drama da solidão,
embora de modos diferentes: por opção sua, Adela
está só com o seu bebé Miguel, enquanto que Antonia
vive a sua solidão no meio de uma família numerosa,
três filhas que não se entendem, dois genros um dos
quais ausente e Manolo, reservado e distante de toda
aquela barafunda.
Nieves vive distanciada de tudo e está-se nas tintas
para as discussões à sua volta, Inés vive com Carlos
e entra sistematicamente em choque com Helena,
casada com Alberto, superficial e egocêntrica,
admiradora de homens sexy, para grande choque da
mãe.
Adela abandona o pai e o marido Pedro, partindo para
Madrid levando o seu bebé e aluga um quarto a Inês e
Carlos, mas em breve a tragédia se abate sobre ela,
sob a forma de um atentado que lhe irá mudar a vida
e a fará passar a ver as coisas de outra forma,
reaprendendo a viver.
Antonia sofre o choque de descobrir que Nieves tem
uma doença de desfecho imprevisível, acabando por
perder a reserva de forças que lhe restava e abrindo
caminho a um fim que cedo se anuncia, perdendo-se
com ela o elemento aglutinador do que restava da
família.
O
filme de uma sobriedade dilacerante e com mais de
duas horas é feito sem um único movimento de câmara
e usando de uma forma inteligente e recorrente o
recurso à divisão do écran em dois quadros, com dois
ângulos da mesma cena, duas vistas de um mesmo local
ou duas acções simultâneas, atingindo por vezes
níveis de um dramatismo impossíveis de obter pelos
métodos tradicionais.
A
cor rosa está ausente deste trabalho de
Jaime
Rosales, interpretado por um conjunto de
nomes para nós quase totalmente desconhecido, mas
que seria crime não citar: a protagonista Adela é
protagonizada por
Sonia
Almarcha, prémio para actriz revelação da
União de Actores Espanhóis, a matriarca Antonia é
interpretada por
Petra
Martinez, prémio de melhor actriz actriz da
União de Actores Espanhóis, as filhas Inés, Nieves e
Helena couberam às actrizes
Miriam
Correa,
Nuria
Mencía e
María
Bazán, o marido abandonado Pedro é
José
Luis Torrijo, distinguido com o Goya de
actor revelação, o de Helena, Alberto, é
Luis
Bermejo e o companheiro de Inés, Carlos, é
Lluís Villanueva.
Para
A
SOLIDÃO, de
Jaime
Rosales, com
Sonia
Almarcha e
Petra
Martinez, 5 écrans, filme decididamente a
não perder.
Falco Fernandes
(Difundido no
Grande Écran
538 de 18 de Setembro) |