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1639/2008

quinta

set.18

Redacção: Raquel Sofia, António Sousa, Raquel Silva, Ana Rita Madruga,  Isabel Santos e Falco Fernandes

 

5 écrans

 

 

A Solidão

de Jaime Rosales

 

 

Sequência mais "eficaz" da

técnica de recurso à divisão do écran,

Adela conversa com Pedro

 

Distinguido com 3 Goyas, melhores realizador, filme e actor revelação, para além de outros 7 prémios, o quarto filme do catalão Jaime Rosales lançado no ano passado, chegou às nossas salas na passada semana, constituindo mais uma boa oportunidade de ver o nível atingido pelo cinema do país vizinho.

Drama em que se vive a experiência de duas mulheres, Adela e Antonia, cujos únicos pontos em comum são o da primeira ser inquilina de uma filha da segunda e cada um viver à sua maneira o drama da solidão, embora de modos diferentes: por opção sua, Adela está só com o seu bebé Miguel, enquanto que Antonia vive a sua solidão no meio de uma família numerosa, três filhas que não se entendem, dois genros um dos quais ausente e Manolo, reservado e distante de toda aquela barafunda.

Nieves vive distanciada de tudo e está-se nas tintas para as discussões à sua volta, Inés vive com Carlos e entra sistematicamente em choque com Helena, casada com Alberto, superficial e egocêntrica, admiradora de homens sexy, para grande choque da mãe.

Adela abandona o pai e o marido Pedro, partindo para Madrid levando o seu bebé e aluga um quarto a Inês e Carlos, mas em breve a tragédia se abate sobre ela, sob a forma de um atentado que lhe irá mudar a vida e a fará passar a ver as coisas de outra forma, reaprendendo a viver.

Antonia sofre o choque de descobrir que Nieves tem uma doença de desfecho imprevisível, acabando por perder a reserva de forças que lhe restava e abrindo caminho a um fim que cedo se anuncia, perdendo-se com ela o elemento aglutinador do que restava da família.

O filme de uma sobriedade dilacerante e com mais de duas horas é feito sem um único movimento de câmara e usando de uma forma inteligente e recorrente o recurso à divisão do écran em dois quadros, com dois ângulos da mesma cena, duas vistas de um mesmo local ou duas acções simultâneas, atingindo por vezes níveis de um dramatismo impossíveis de obter pelos métodos tradicionais.

A cor rosa está ausente deste trabalho de Jaime Rosales, interpretado por um conjunto de nomes para nós quase totalmente desconhecido, mas que seria crime não citar: a protagonista Adela é protagonizada por Sonia Almarcha, prémio para actriz revelação da União de Actores Espanhóis, a matriarca Antonia é interpretada por Petra Martinez, prémio de melhor actriz actriz da União de Actores Espanhóis, as filhas Inés, Nieves e Helena couberam às actrizes Miriam Correa, Nuria Mencía e María Bazán, o marido abandonado Pedro é José Luis Torrijo, distinguido com o Goya de actor revelação, o de Helena, Alberto, é Luis Bermejo e o companheiro de Inés, Carlos, é Lluís Villanueva.

Para A SOLIDÃO, de Jaime Rosales, com Sonia Almarcha e Petra Martinez, 5 écrans, filme decididamente a não perder.

Falco Fernandes

(Difundido no Grande Écran 538 de 18 de Setembro)

 

 

 

 

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