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1622/2008

sábado

set.20

Redacção: Raquel Sofia, António Sousa, Raquel Silva, Ana Rita Madruga,  Isabel Santos e Falco Fernandes

56º Donostia Zinemaldia

Festival de San Sebastián

18/27 de Setembro

 

 

Hunt e Monicelli

salvam dia "três"

 

Conferência de Imprensa do filme FROZEN RIVER,

de Courtney Hunt, ponto alto do terceiro dia do festival

(foto de JMB)

 

A única presença norte-americana na competição oficial abriu o nosso terceiro dia de Festival. FROZEN RIVER (Rio Gelado), da realizadora  Courtney Hunt, trata  uma história com um grande fundo de humanidade que tem como protagonista uma mulher abandonada pelo marido e que, para sustentar os seus dois filhos, se envolve num esquema de entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos. Para tal, conta com a cumplicidade de uma rapariga índia que vive numa reserva que faz fronteira com o Canadá e na qual as autoridades policiais não têm jurisdição. Filmado numa zona de paisagens frias e agrestes, esta é uma obra de grande sensibilidade em que a solidariedade assume o papel principal e que, provavelmente, só foi possível por ser dirigida e interpretada por mulheres. Até ao momento um dos pontos mais relevantes do Festival.

Após algumas fotos na conferência de imprensa de FROZEN RIVER, de uma fugaz passagem pelos Encontros Zabaltegi, e de um encontro em pleno Boulevard com a Directora do Festroia, Fernanda Silva (como é bom falar português de vez em quando...), mais uma “Pérola” no Principal. Desta vez, BURN AFTER READING (Queimar depois de ler), a recente incursão dos irmãos Cohen na comédia, que foi filme de abertura no último Festival de Veneza. O filme conta um elenco de luxo em que marcam presença nomes como George Clooney, Frances MCDormand, John Malkovich e Brad Pitt, e relata a história de um elemento da CIA que, quando chega ao quartel general para uma reunião ultra-secreta, recebe a notícia do seu despedimento. Inconformado com a situação mete-se em casa a escrever as suas memórias e refugia-se na bebida. O CD com os seus textos chega acidentalmente às mãos de um par de funcionários de um ginásio que pretendendo obter alguns dividendos com o achado o procuram vender à Embaixada da Rússia. O argumento burlesco, caricatura da forma de actuar dos serviços de inteligência e das relações entre as grandes potências, propicia muitos momentos hilariantes, de um humor cáustico mas também absurdo. Mas como um filme não é um objecto isolado, e é fatalmente visto tendo em conta o conjunto da obra dos seus autores, acaba por ser um objecto um tanto estranho e difícil qualificação.

Ao fim da tarde e novamente na secção oficial, GENOVA do britânico Michael Winterbottom,  a história da tentativa de um reinício de vida, em Itália, de um professor universitário americano e das suas jovens filhas, na sequência da morte da mulher num acidente de automóvel ocorrido quando com elas viajava. O pai tem como anfitriã uma colega italiana que já conhecia anteriormente, a filha mais velha faz rapidamente amigos entre os jovens genoveses, mas a mais nova vive obcecada pela imagem da mãe e pelo sentimento de culpa que tem pela sua morte. A competir pela terceira vez em San Sebastián, Winterbottom começa o seu relato com as cenas do acidente, num registo muito vivo, muito próximo do cinema de acção norte-americano, para depois passar para as deambulações pelas vielas de Génova, em sucessivos ciclos narrativos, em que o fantástico e o real vão alternando. Trabalho razoável.

À saída do cinema, a escassos 20 metros do Principal, divisei atrás de um balcão dois dos veteranos de “La Cepa”. Daqueles que lá estavam há mais de vinte anos. Trabalham agora no “Nagusia Lau”, um outro lugar a reter nas deambulações gastronómicas “donostiarras”.  Não se cansaram de perguntar por “los otros portugueses” e em especial pelo “meu irmão”. Julgo que se referiam ao dentista-agricultor mais cinéfilo do nosso país, Armando Caramelo.

Para retemperar forças, que já lá vai o tempo da juventude e da capacidade de ver muitos filmes de “índole cineclubista” (para usar a expressão de um antigo porteiro do “Carlos Alberto” para classificar  o que considerava uma “seca”), nada melhor do que algo com selo de garantia. Por isso, fui até uma das salas do “Príncipe” ver um magnífico e inolvidável Mario Monicelli, UM HEROI DO NOSSO TEMPO (1955), com um insuperável Alberto Sordi, então em início de carreira. Saí da sala reconfortado e pronto para uma noite descansada.

De San Sebastián para a FM-Media e o Grande Écran,

José Mário Bastos

(Difundido no Grande Écran 539 de 25 de Setembro)

 

 

 

John Malkovich,

único elemento

na Conferência

de Imprensa

do filme BURN

AFTER READING,

dosirmãos Cohen

 

Conferência de

Imprensa do filme

GENOVA, de Michael

Winterbottom

(fotos de JMB)

 

 

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