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1621/2008

domingo

set.21

Redacção: Raquel Sofia, António Sousa, Raquel Silva, Ana Rita Madruga,  Isabel Santos e Falco Fernandes

56º Donostia Zinemaldia

Festival de San Sebastián

18/27 de Setembro

 

 

Enfim, apareceu

Joaquín Pollos!

 

Citando José Mário Bastos,

"Quem não conhece, não sabe o que perde"

(foto de JMB)

 

O clima em San Sebastián, para além da parada de estrelas de diversas grandezas, continua pouco entusiasmante. Falo, é claro, de cinema. Já a “playa de la Concha” continua muito bem frequentada por todos aqueles que se dispõem a gozar o calor deste sol de fim de Verão.

Quanto à principal secção competitiva do Festival, este foi mais um dia que não deixa saudades. Para começar, do francês Christophe Honoré, LA BELLE PERSONNE, transposição para um colégio parisiense dos nossos dias, dos amores palacianos da corte francesa que inspiraram o romance “A Princesa de Clèves” da Madame de Lafayette.  O resultado é uma obra desequilibrada e entediante. Os valores, as aspirações e o modo de estar dos jovens de hoje, retratados no filme, não têm qualquer paralelo com as paixões exacerbadas do texto romanesco e o que ressalta deste trabalho é um conjunto de situações grotescas, desligadas, sem picos de emoção e incapazes de suscitar o interesse do espectador. Muito fraca a primeira presença do cinema francês na selecção deste ano.

Mas para mostrar que daquelas paragens se pode sempre esperar objectos de outra qualidade, de seguida, uma “perolazinha” no “Principal”: L'HEURE D'ÉTÉ, de Olivier Assayas, bela abordagem da dificuldade de relacionamento entre três irmãos que se vêem confrontados com a situação de terem que se desfazer e repartir um valioso património de família, após a morte repentina da mãe. O filme passa-se quase todo numa bela mansão, rodeada por uma quinta, onde os mais jovens se dedicam a todo o género de brincadeiras, afinal similares às que os seus pais viveram nos mesmos locais. L'HEURE D'ÉTÉ  é assim, também, uma história de memórias e de nostalgia por um tempo que não voltará mais. Excelente registo, na linha de algum do melhor cinema francês.

No regresso à secção oficial o primeiro filme espanhol em competição, EL PATIO DE MI CÁRCEL (O pátio da minha prisão), primeira longa-metragem de Belén Macias. É a história de um conjunto de presidiárias, de diferentes origens e personalidades, que vêem a sua vida na prisão modificar-se com a chegada de uma nova funcionária prisional que tem uma concepção pouco habitual do que deve ser um espaço de reclusão. A criação de um grupo de teatro é uma das suas ideias que irá alterar comportamentos, anseios e perspectivas de futuro para as reclusas. Os sucessos e desaires deste processo, os problemas levantados pelas hierarquias e pelas outras guardas, são os temas fundamentais deste filme, muito bem intencionado, protagonizado por um numeroso grupo de actrizes bem adaptadas aos papéis que desempenham.  Razoável, mas apenas isso.

Para completar a jornada cinéfila, outro Monicelli: DONATELLA (1956) com uma muito jovem Elsa Martinelli (futura heroína de HATARI!, de Howard Hawks) e um admirável Aldo Fabrizi, aqui num papel cómico, de pleno contraste com o que encontrámos, por exemplo, no do padre de ROMA, CIDADE ABERTA, de Roberto Rossellini (1945).

Depois das fitas, cerca da meia-noite, uma passagem por “La Cepa”. Finalmente, o Joaquín Pollos e aquele repasto de boas-vindas a que estamos habituados: jamon, hongos, salomillo, patxaran e a simpatia habitual... Quem não conhece não sabe o que perde.

De San Sebastián para a FM-Media e o Grande Écran,

José Mário Bastos

(A difundir no Grande Écran 540 de 2 de Outubro)

 

 

 

Elementos do filme

EL PATIO DE MI

CÁRCEL, com

Belén Macias

ao meio, de camisa

branca

 

Conferência de

Imprensa do filme

L'HEURE D'ÉTÉ, de

Christophe Honoré

(fotos de JMB)

 

 

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