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Não
lembra ao demónio enviar alienígenas à Terra, numa
nave com a forma de um ser humano, mas o certo é que
tal ideia obtusa ocorreu à dupla de argumentistas
Rob
Greenberg e
Bill
Corbett, o realizador
Brian
Robbins assumiu o ónus de dirigir o filme e
a escolha para protagonizar esta comédia dita de
ficção científica recaiu sobre
Eddie
Murphy que já provou ser capaz de
representar tudo, mesmo dar voz a ao burro da série
SHREK
ou representar diversas personagens num filme, como
sucedeu nos filmes da série
O
PROFESSOR CHANFRADO.
Pois
aqui ele também representa dois papéis, mas aquele
que nos interessa é o de um veículo espacial que
viaja até ao nosso planeta, albergando no seu
interior uma multidão de pequenos extraterrestres,
em busca de salvação para o seu planeta, missão que
vai encontrar sérias dificuldades para ser levada a
bom termo.
Desde logo, porque a criatura robotizada tem de
aprender a comportar-se como um ser humano normal,
após uma aterragem fulgurante e de cabeça para
baixo, na ilha onde está erigida a Estátua da
Liberdade e onde começa a sua aprendizagem.
Depois, porque aquilo que lhe é absolutamente
inócuo, como ser atropelado por um jeep, voar pelos
ares e aterrar umas largas dezenas de metros adiante
numa rua de Nova Iorque, sentando-se de imediato,
sem a mínima beliscadura, deixa quem assiste ao
incidente num estado de perplexidade perfeitamente
compreensível, sucedendo-se o episódios do género,
como é fácil adivinhar,
Finalmente e esse é o cerne da questão, porque a
nossa nave espacial em forma humana, corporizada por
Eddie Murphy, estabelece contacto imediato
do terceiro grau com a belíssima terráquea Gina
Morrison, interpretada por
Elizabeth Banks, complicando a seriedade da
missão daí para diante, o que deixa os tripulantes
no interior da nave, em grande ansiedade, sem
saberem como lidar com uma situação que não havia
sido prevista.
Actos simples, como beber um copo de água ou ouvir
música com auscultadores, viram autênticas
catástrofes no interior da nave e por vezes fora
dela, e quando Gina se apresenta, perguntando-lhe
como se chama, os tripulantes escolhem a bela
combinação de nomes Ming Cheng, a que acrescentam de
imediato Dave.
Temos então Dave Ming Cheng, o nome humano de uma
nave espacial corporizada por
Eddie Murphy,
à solta por Nova Iorque, feita uma primeira amizade
com Gina e o seu filho Josh, enquanto a polícia
procura algo de estranho caído do espaço, no rochedo
da Estátua da Liberdade.
Mas
os problemas mais sérios começam a acontecer no
interior da nave com as descobertas que fazem acerca
dos habitantes da Terra, surpresas que os vão
conquistando e perturbando irremediavelmente o
relacionamento entre os membros da tripulação,
começando pelo Capitão que, no interior da nave, se
deixa seduzir pelo jogo entre Gina e Dave,
desencadeando uma rebelião a bordo.
Puro divertimento, um completo non-sense de fio a
pavio, estamos no Verão e com o tempo que tem feito,
para
PEQUENO GRANDE DAVE, de
Brian
Robbins, com
Eddie
Murphy,
Elizabeth Banks e o pequeno
Austyn
Myers que se estreia no cinema no papel de
Josh, 3 écrans, filme com interesse.
Falco Fernandes
(Difundido no
Grande Écran
536 de 4 de Setembro) |