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Tendo como ponto de partida o
romance homónimo de Júlio Verne, citado nos
créditos do filme, e lançado em princípios de Julho,
chega esta semana até nós
VIAGEM AO CENTRO DA TERRA, estreia no
cinema de fundo de
Eric
Brevig e protagonizado por
Brendan Fraser,
Josh
Hutcherson e
Anita
Briem.
O
irmão do cientista Trevor Anderson desaparece
durante um trabalho de campo, o seu filho Sean e o
tio descobrem uma pista que os poderá levar até ele,
voam para a Islândia e partem em busca do local,
acompanhados pela guia Hannah, acabando por cair num
interior de um vulcão que os levará até ao centro da
Terra e a descobertas fascinantes.
Para
retratar este universo pré-histórico povoado de
criaturas estranhas e assustadoras, como
dinossáurios, piranhas voadoras gigantes e plantas
devoradoras de homens, o filme foi rodado em 3
dimensões, sistema agora facilitado pela projecção
digital mas que não dispensa os óculos polarizadores
e de que escasseiam as salas no nosso país que têm
vindo a surgir aos poucos, desde a pioneira no
Alvaláxia, em Lisboa.
Não é
uma experiência nova, a primeira patente de cinema
em 3D remonta a 1890, mas apenas em 1915 se fizeram
os primeiros testes deste sistema e o primeiro filme
rodado “em relevo” foi
THE
POWER OF LOVE, de
Nat G.
Deverich e
Harry
K. Fairall, apresentado em Los Angeles, em
1922, após o que o sistema foi abandonado e se
seguiram as experiências mais ou menos falhadas.
Beneficiando do último grito tecnológico e com um
enredo que beneficia com a espectacularidade, o
investimento técnico colocado nesta
VIAGEM AO CENTRO DA TERRA teve, desde
logo, a consequência de o reduzir quase a uma
arrojada aventura tecnológica, retirando-lhe grande
parte da alma que tinha e mantém o clássico romance
de Júlio Verne, mesmo passado quase século e
meio sobre a sua publicação em 1864.
Bastará referir que para um elenco em que são
referidos 11 actores, nos créditos do filme consta
um total de 400 técnicos e outros membros da equipa
que produziu o filme!
Quanto
ao resultado no écran e mau grado o desconforto
causado pelos óculos, a sensação da profundidade é
arrebatadora, os cenários são escolhidos (ou
fabricados) a dedo, o sentido de humor e a frenética
acção impedem o espectador de se enfastiar com o
filme e até dá para recordar alguns clássicos como
Indiana Jones, durante uma corrida desenfreada de
vagoneta na mina de diamantes abandonada, onde vão
parar.
Pela
novidade da experiência e pelo divertimento que
constitui, já para não referir a evocação dum
clássico da literatura de ficção científica,
VIAGEM AO CENTRO DA TERRA
de
Eric Brevig e protagonizado por
Brendan Fraser,
Josh
Hutcherson e
Anita
Briem, merece-nos 4 écrans, filme
decididamente a ver.
Falco Fernandes
(Difundido no
Grande Écran
535 de 28 de Agosto) |