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Produto típico do casamento entre a clássica Disney,
pioneira e mais popular produtora de animação, e a
moderna Pixar, bem sucedida pioneira da animação
integralmente digital,
WALL.E, de
Andrew
Stanton, estreou em finais de Junho, no
Festival de Moscovo, na Rússia, chegando esta semana
até nós, nas duas versões, original legendada e
dobrada em português.
Chega em boa altura, em plenas férias escolares,
embora duvidemos do acolhimento que possa ter,
sobretudo junto dos espectadores mais jovens, uma
vez que se trata de uma animação muito especial, uma
aventura de ficção científica, recheada de
referências aos seus antepassados no género,
nomeadamente filmes como
2001-
ODISSEIA NO ESPAÇO, de
Kubrick, ou
E.T.
e
ENCONTROS IMEDIATOS DE 3º GRAU, de
Spielberg, autênticos dinossáurios para os
mais miúdos.
Mesmo assim, o filme é bem mexido e tem aspectos que
poderão cativar o seu público-alvo, como sejam o bem
conseguido clima de aventura, o sentido de humor, o
espírito romântico a que eles são sensíveis e em que
a Disney dá cartas, desde 1922, com mais de 600
filmes produzidos, muitos deles hoje considerados
trabalhos de culto da animação.
Os tempos são outros, o “avô”
Walt
deixou-nos em 1966, a animação clássica
desenhada e colorida à mão tem preços
incomportáveis, impunha-se aderir a sistemas mais
praticáveis como é o da animação digital e a escolha
da Pixar ocorreu numa altura em que a Disney via a
vida “andar para trás”, correndo o risco de fechar
as portas.
Wall-E é um simpático robot que se ocupa da limpeza
pública, com eficiência e zelo, sem um queixume e
coleccionando muita coisa de que os humanos se
desfizeram, antes de deixar a Terra, num passado,
cheio de diversões tecnológicas que não se
compadecia com cubos mágicos ou plantinhas
decorativas.
No seu dia a dia sem descanso, o nosso herói esbarra
com uma nave espacial e acaba estabelecendo um
contacto imediato de 3º grau com um seu colega
alienígena, atrás de quem resolve entrar na nave,
partindo rumo a um destino incerto, mergulhando numa
aventura em que irá tornar-se uma peça fulcral da
acção.
É
apaixonante a forma como Wall-E e a sua nova amiga
Eve vão conseguindo comunicar, vencendo barreiras
tecnológicas, a importância que a música assume na
criação dos climas necessários ao desenvolvimento da
acção, sobretudo a escolha dos temas musicais para
tal tarefa.
Com as vozes de nomes como
Ben
Burt,
Elissa
Knight,
John
Ratzenberger ou
Sigourney Weaver, na versão original, e de
Carlos Freixo, Carla Garcia,
João
de Carvalho,
Paula
Fonseca ou
Luísa
Salgueiro, na versão dobrada em português,
esperemos que esta animação leve às salas jovens de
todas as idades, como “filme de família” que é
considerado.
Para
WALL.E, animação de
Andrew
Stanton, 4 écrans, filme decididamente a
ver.
Falco Fernandes
(Difundido no
Grande Écran
533 de 14 de Agosto) |