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1601/2008

quinta

ago.14

Redacção: Raquel Sofia, António Sousa, Raquel Silva, Ana Rita Madruga,  Isabel Santos e Falco Fernandes

 

4 écrans

 

 

 

 

WALL.E

de Andrew Stanton

 

 

Wall.E e Eve, um namoro galáctico

 

Produto típico do casamento entre a clássica Disney, pioneira e mais popular produtora de animação, e a moderna Pixar, bem sucedida pioneira da animação integralmente digital, WALL.E, de Andrew Stanton, estreou em finais de Junho, no Festival de Moscovo, na Rússia, chegando esta semana até nós, nas duas versões, original legendada e dobrada em português.

Chega em boa altura, em plenas férias escolares, embora duvidemos do acolhimento que possa ter, sobretudo junto dos espectadores mais jovens, uma vez que se trata de uma animação muito especial, uma aventura de ficção científica, recheada de referências aos seus antepassados no género, nomeadamente filmes como 2001- ODISSEIA NO ESPAÇO, de Kubrick, ou E.T. e ENCONTROS IMEDIATOS DE 3º GRAU, de Spielberg, autênticos dinossáurios para os mais miúdos.

Mesmo assim, o filme é bem mexido e tem aspectos que poderão cativar o seu público-alvo, como sejam o bem conseguido clima de aventura, o sentido de humor, o espírito romântico a que eles são sensíveis e em que a Disney dá cartas, desde 1922, com mais de 600 filmes produzidos, muitos deles hoje considerados trabalhos de culto da animação.

Os tempos são outros, o “avô” Walt deixou-nos em 1966, a animação clássica desenhada e colorida à mão tem preços incomportáveis, impunha-se aderir a sistemas mais praticáveis como é o da animação digital e a escolha da Pixar ocorreu numa altura em que a Disney via a vida “andar para trás”, correndo o risco de fechar as portas.

Wall-E é um simpático robot que se ocupa da limpeza pública, com eficiência e zelo, sem um queixume e coleccionando muita coisa de que os humanos se desfizeram, antes de deixar a Terra, num passado, cheio de diversões tecnológicas que não se compadecia com cubos mágicos ou plantinhas decorativas.

No seu dia a dia sem descanso, o nosso herói esbarra com uma nave espacial e acaba estabelecendo um contacto imediato de 3º grau com um seu colega alienígena, atrás de quem resolve entrar na nave, partindo rumo a um destino incerto, mergulhando numa aventura em que irá tornar-se uma peça fulcral da acção.

É apaixonante a forma como Wall-E e a sua nova amiga Eve vão conseguindo comunicar, vencendo barreiras tecnológicas, a importância que a música assume na criação dos climas necessários ao desenvolvimento da acção, sobretudo a escolha dos temas musicais para tal tarefa.

Com as vozes de nomes como Ben Burt, Elissa Knight, John Ratzenberger ou Sigourney Weaver, na versão original, e de Carlos Freixo, Carla Garcia, João de Carvalho, Paula Fonseca ou Luísa Salgueiro, na versão dobrada em português, esperemos que esta animação leve às salas jovens de todas as idades, como “filme de família” que é considerado.

Para WALL.E, animação de Andrew Stanton, 4 écrans, filme decididamente a ver.  

Falco Fernandes

(Difundido no Grande Écran 533 de 14 de Agosto)

 

 

 

 

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