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1478/2006

terça

dez.12

Redacção: Raquel Sofia, António Sousa, Raquel Silva, Ana Rita Madruga Isabel Santos e Falco Fernandes

Emérito cinéfilo figueirense

 

 

 

 

 

Morreu

José Poeta

 

(foto Figueira.net)

 

O ano tem sido negro para os festivais portugueses, em meados de Junho faleceu Mário Ventura Henriques, presidente do Festroia, no princípio de Julho, faleceu José Vieira Marques, director do Festival de Cinema da Figueira da Foz ao longo de mais de três décadas, por coincidência ambos estão sepultados em cemitérios de Setúbal, dias atrás fomos confrontados com a notícia do trágico desaparecimento de José Poeta, um figueirense incontornável e um defensor intransigente do festival de cinema da sua terra, interrompido desde 2002.

José Matias Poeta deixou-nos na madrugada do passado dia 29 de Novembro, aos 47 anos de idade, vítima de acidente vascular cerebral, com a sua partida fica mais pobre a cinefilia figueirense e enfraquece um pouco mais a memória do Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz.

Economista de profissão, dedicou uma boa parte da sua actividade à paixão elo cinema, patente através de trabalhos na internet e na imprensa, da participação no cineclube, mas sobretudo no espólio de cinema que recolheu ao longo de anos, constituído por mais de centena e meia de máquinas de filmar, cerca de seiscentos livros e quinhentas revistas, uma centena de catálogos de festivais portugueses, cartazes, programas, etc., e na profunda dedicação ao festival, em que desempenhou funções de animador cultural e de redactor do boletim "Festival".

José Poeta foi também realizador de vídeo, tendo participado com trabalhos em festivais no país e no estrangeiro, e organizou na década de noventa a "Mostra de Vídeo Figueira 91", organizou exposições sobre cinema em escolas, clubes e outras instituições, mas partiu sem ver concretizado um velho sonho por que muito lutou: um museu de cinema na Figueira da Foz a que doaria o seu espólio.

Fica mais pobre a vida cultural figueirense, perda irreparável do seu universo cinéfilo, a vereadora da Cultura, Teresa Machado, declarou não haver espaço para satisfazer o último desejo de José Poeta no que toca ao museu de cinema, mas talvez se possa organizar uma exposição permanente.

 

 

 

 

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