news

1466/2006

quinta

dez.7

Redacção: Raquel Sofia, António Sousa, Raquel Silva, Ana Rita Madruga Isabel Santos e Falco Fernandes

   

4 écrans

 

 

 

ALEX

de José Alcala

(difundido no Grande Écran 514, de 7 de Dezembro)

 

Alex é uma sobrevivente na mais exacta acepção da palavra.

Vende legumes no mercado da terra, faz pequenos trabalhos com o amigo Karim que ignoram quando receberão, alimenta o sonho de comprar uma casa isolada na serra e semi-arruinada, o filho adolescente está entregue ao pai e não manifesta qualquer simpatia pela mãe que se habituou a encarar como uma figura ausente.

Mas Alex não verga e persegue os seus sonhos, resolvendo as dificuldades de que vive rodeada da maneira que pode e por vezes causando novas complicações aos que a rodeiam, especialmente os amigos, e a si própria.

Pouco a pouco, vamos completando o puzzle que define esta jovem rebelde e entendemos como ela chegou até diante dos nossos olhos, porque é assim e não de outra forma, acabando por nos tornarmos cúmplices dela e torcendo por Alex, para que reencontre a paz tão arduamente procurada e quase sempre a uma distância infinita, intransponível.

Aos poucos, são-nos revelados detalhes fulcrais, como seja o alcoolismo dos pais, laivos de desencantado incesto, a entrega ao gerente do supermercado que lhe "paga" em géneros e o desejo carnal que alimenta aquela relação do lado dela.

Mas também assistimos ao vai e vem da sua relação com o filho Xavier, à força de Alex quando se recusa a ser sua cúmplice num crime, ao momento dramático em que ouve a revelação do médico, a pragmática proposta deste, o peso da decisão sobre os ombros que terá de tomar e assumir sozinha.

O amanhecer na serra, numa casa em que as janelas já têm caixilhos, tem o sabor doce de uma redenção claramente patente no estado de Alex, resultado da decisão tomada, uma decisão pela vida.

Para ALEX, de José Alcala, protagonizado por Marie Raynal, Adrien Ruiz no papel de Xavier e Lyes Salem no de Karim, prémio CICAE de 2005 em San Sebastián, 4 écrans, filme decididamente a ver.

Falco Fernandes

 

 

BACK | EMAIL | HOME